Rio - Maior favela do Rio e uma das poucas ainda não pacificadas da zona sul, a Rocinha foi alvo, ontem, de uma grande operação policial cujo objetivo era desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro dos traficantes locais.
Dos 22 mandados de prisão, porém, apenas 11 foram cumpridos. Nem o chefe do tráfico Antônio Francisco Lopes, o Nem, 34 anos, nem seus familiares, suspeitos de integrar o esquema como laranjas, estão entre os detidos.
A polícia apreendeu quase três toneladas de maconha, produtos piratas, como CDs e DVDs, e roubados, como eletrodomésticos, além de 42 veículos, entre carros e motos. Nenhuma grama de cocaína, droga que mais rende lucro ao tráfico, foi achada. A operação também não encontrou armas, exceto uma granada em posse de um dos detidos.
Operação teria vazado
A chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, negou que a operação tenha vazado. Moradores, porém, disseram que já sabiam na noite do dia anterior que uma ação policial iria ocorrer ali.
Esquema
O delegado da Polinter Grajaú, Rafael Willis, diz que investigações revelaram a existência de um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas com a utilização de empresas legalizadas. A polícia apura o uso de laranjas por traficantes. Os nomes das empresas, no entanto, não foram divulgados a fim de não atrapalhar o caso, que teve início há seis meses.
Os policiais afirmaram que não descartam a possibilidade de que as drogas e armas do morro de São Carlos, onde foi instalada uma Unidade de Polícia Pacificadora em fevereiro deste ano, tenham sido levadas à favela da Rocinha.