09 de julho de 2026
Bairros

Barão, fotógrafo visionário, morre aos 81

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

A vida de Yvan Pereira Guedes, mais conhecido como Barão, foi marcada pela fotografia. Com uma máquina na mão e muita sensibilidade, ele registrou momentos, lugares e personalidades bauruenses de várias décadas atrás. Demonstrou sua paixão por registrar imagens até os 81 anos, idade em que, para a tristeza de amigos e familiares, faleceu.

O fotógrafo apaixonado deixou, no início da manhã de ontem, seus quatro filhos e a esposa, Maria de Lourdes Soares Guedes, também de 81 anos. Foi vencido após lutar por mais de cinco anos contra um câncer de próstata.

Há 20 dias, ficou hospitalizado e morreu por falência múltipla dos órgãos, segundo informações de parentes. Seu corpo é velado no velatório Terra Branca, no Centro. Seu sepultamento está previsto para as 9h30 de hoje, no Cemitério da Saudade.

Barão, além de fotógrafo, foi um comerciante de destaque. Nascido em Bauru, veio de uma família de fotógrafos. Desde muito jovem, começou a trabalhar com o tio, Carlos Giaxa, e, posteriormente, em conjunto com o irmão Aldire Guedes.

Na década de 50, resolveu montar seu próprio estúdio, e passou a fotografar casamentos, formaturas e diversos outros eventos sociais.

Assim nasceu a Foto Guedes, na quadra 7 da Batista de Carvalho. "Lembro-me que o estúdio era ponto de encontro, pois todos iam ver a vitrine do Foto Guedes para saber quem tinha casado, já que o álbum era, primeiramente, disponibilizado na vitrine e entregue após alguns dias para os clientes", conta um dos filhos de Barão, o fotógrafo Flávio Guedes, 53 anos.

Bigode famoso

Com a Foto Guedes, que chegou a alcançar cinco lojas em Bauru, Yvan passou a ser conhecido nos locais onde ia. Ganhou até o apelido de "Barão" por fazer lembrar a foto de Barão do Rio Branco, que estampava, na época, uma cédula de dinheiro.

"Ele tinha um bigode igual ao Barão que aparecia na nota, então, ganhou o apelido. Lembro de quando trabalhei em formaturas junto com ele", recordou o amigo e também fotógrafo Quioshi Goto.

Barão ganhou relevância em eventos sociais que fotografava. "Ele foi o fotógrafo da alta sociedade bauruense. Trabalhava com retratos, registrava bailes de debutantes, fez a cobertura fotográfica de casamentos de famílias importantes em Bauru. A família Guedes também ficou bastante conhecida por fazer as primeiras fotos aéreas da cidade", enfatizou Flávio Guedes.

Sempre atuante, Barão trabalhou também como o primeiro fotógrafo da Polícia Científica de Bauru e prestou serviços para o extinto Diário de Bauru, Correio da Noroeste e Jornal da Cidade, conforme apontou Flávio.

Quem também lembra da carreira de Barão é Roberto Rufino, colunista e ex-repórter do JC. "Ele foi um dos mais tradicionais fotógrafos. Tinha talento, profissionalismo, era muito competente. Representou muito bem os acontecimentos sociais, mostrou a cidade de muitas maneiras", frisou Rufino.

O legado profissional deixado foi passado para o filho, Flávio Guedes, que resolveu seguir os mesmos passos do pai.

"Posso dizer que ele foi meu mestre. Com ele, não aprendi somente sobre fotografia, mas como me portar em eventos sociais. Ele era uma pessoa muito extrovertida, comunicativa e ligada à família, comerciante nato, um visionário. Vai deixar saudades", disse Flávio, bastante emocionado.

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Na década de 60, Yvan Pereira Guedes trouxe a fotografia colorida para Bauru

A paixão pelos flashes fotográficos atravessou fronteiras. Na década de 60, Yvan Pereira Guedes, o Barão, viajou para a Alemanha. Lá, conheceu a fotografia colorida.

"Ele conheceu o primeiro laboratório de revelação de fotografia colorida e veio com várias ideias quando chegou em Bauru. Ele importou máquinas e assim inaugurou o primeiro laboratório de revelação colorida do Interior de São Paulo", diz o filho, Flávio Guedes. "Foi o precursor da foto colorida aqui", ressaltou.

Outras inovações vieram coma experiência internacional de Yvan. "Ele trouxe também as baterias secas para Bauru, utilizadas pelos fotógrafos que, até então, só tinham acesso àquelas baterias úmidas. Eram mais práticas, foi uma inovação", comentou o filho.

Depois que se aposentou da Polícia Científica, Yvan passou a se dedicar ao turismo. "Através da Associação dos Funcionários Públicos de São Paulo, onde atuava como conselheiro, passou a montar grupos de viagens entre amigos", comentou Flávio. "Ele também foi o fundador da sede náutica do BTC", acrescentou.