08 de julho de 2026
Polícia

Feriado começa trágico com 4 mortes

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 5 min

O primeiro dia de feriado prolongado em Bauru começou com quatro mortes na rodovia Cézario José de Castilho (SP 321), mais conhecida como Bauru-Iacanga, ou ainda, "rodovia da morte". A fatalidade ocorreu na noite de anteontem, por volta das 22h, após uma colisão frontal entre uma caminhonete Ford Ranger, com placas de Ibitinga, e um Volkswagen Saveiro, com placas de Bauru.

As vítimas, todas do sexo masculino, tinham entre 20 e 43 anos e morreram na hora. Pelo estado de ambos os veículos, que ficaram com suas dianteiras completamente destruídas, é possível imaginar o impacto do acidente.

De acordo com informações da Polícia Rodoviária, a colisão ocorreu na altura do quilômetro 363 mais 500 metros, cerca de quatro quilômetros depois do trevo de acesso ao Aeroporto Moussa Tobias, em Arealva (40 quilômetros de Bauru).

Segundo a Polícia, os veículos seguiam em direções contrárias na pista, que é simples. A hipótese mais provável é que os carros tenham se chocado frontalmente, em pista reta.

Contudo, as reais causas e circunstâncias do acidente estão sendo investigadas. Nos próximos dias, a Polícia Científica emitirá laudo com possíveis explicações para a colisão.

Os primos Diego Sampaio de Almeida, de 20 anos, e Fábio Antônio Mellero, 30 anos, e o amigo Romano Ferreira Neto, 27 anos, moradores de Bauru, seguiam para o município na Saveiro, pilotada por Diego. Segundo informações de parentes, eles voltavam de mais um dia de trabalho em cidades da região.

"Fábio era autônomo e trabalhava junto com Diego. Eles montavam estruturas de churrasqueiras e neste dia voltavam do serviço. Romano era ajudante", contou a mãe de Fábio, Áurea Maria de Oliveira Mellero, de 50 anos.

O corpo de Fábio foi velado juntamente com o de Diego no Centro Velatório Terra Branca, no Centro. Já o corpo de Romano foi velado no Memorial Bauru. Ontem à tarde, os três foram sepultados no Cemitério do Redentor.

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?Ele foi e nunca mais voltou?


A quarta vítima do acidente também era um homem, de 43 anos. Waldo Cavalini Júnior, que ditigia a Ford Ranger, morava com a família em Ibitinga, mas tinha uma chácara em Arealva. Parte de seus parentes é de Bauru.

"Ele estava em Bauru e seguia para a chácara, onde trabalhava com criação de gado", indicou o pai da vítima, Waldo Cavalini, de 71 anos. O corpo de Waldo também foi velado no Terra Branca, e depois sepultado no Cemitério da Saudade.

Na manhã de ontem, o cenário nos velórios era de total comoção e tristeza. Familiares e amigos faziam as últimas despedidas, inconformados e chocados com a ocorrência. Os familiares de Diego Sampaio de Almeida, 20 anos, e Fábio Antônio Mellero, 30 anos, lamentavam a fatalidade.

"Eu falei de manhã com o Fábio, preparei a marmita dele. Essa foi a última vez que tivemos contato. Fazia um tempo que ele trabalhava como autônomo, ia de cidade em cidade prestar serviços", lembrou sua mãe, Áurea. Fábio deixa duas filhas, de 8 e 10 anos.

O jovem Diego era casado com Simone Fernandes Guimarães, de 25 anos. Além dela, ele deixou uma filha de apenas 1 ano e 3 meses de idade. "Ele e o Fábio eram sócios e já fazia um tempo que trabalhavam juntos. A última vez que o vi foi antes de sair de casa. Ele foi e nunca mais voltou", lamentou Simone, muito emocionada.

O velório de Romano Ferreira Neto, de 27 anos, ficou repleto de amigos e parentes. Sobre o caixão estava um chapéu típico de rodeios. "Ele era uma pessoa muito alegre, que gostava de música country. Infelizmente, se foi, junto com tantas outras vítimas que morrem naquele trecho perigoso da Bauru-Iacanga. Tive um amigo que também se envolveu em acidente no mesmo trecho", enfatizou o primo da vítima, André Augusto de Oliveira, 39 anos.

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Enquanto o número de vítimas cresce, a ?rodovia da morte? espera duplicação


Apelidada de ?rodovia da morte?, a Bauru-Iacanga, oficialmente denominada Cezário José de Castilho (SP 321), é apontada como campeã de mortes em sua extensão. Sob a responsabilidade do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), órgão vinculado ao governo do Estado de São Paulo, a via registra muitos atropelamentos, colisões de todos os tipos e capotamentos.

Além de ter pista simples, a rodovia mais conhecida como Bauru-Iacanga precisa de acostamentos em vários de seus trechos. Enquanto as obras não são feitas, a população cobra fiscalização e ações de policiamento no local para coibir excesso de velocidade e outras imprudências.

Outros acidentes registrados próximo ao quilômetro 356, onde ocorreu a colisão de ontem com quatro vítimas fatais, comprovam o perigo da rodovia. Um deles, noticiado pelo JC, ocorreu na última semana de fevereiro deste ano.

Na ocasião, duas pessoas morreram após acidente envolvendo dois veículos no quilômetro 371 mais 845 metros da rodovia da morte, já também em Arealva.

Pedro Barbosa, 63 anos, e Teresinha Caraça Barbosa, 56 anos, não resistiram à gravidade dos ferimentos e morreram logo após dar entrada no Pronto-Socorro Municipal (PSM) de Arealva. Outras quatro pessoas ficaram feridas.

Outro acidente chocante, ocorrido no quilômetro 352 da Bauru-Iacanga, chegou a esmagar um carro e matar duas pessoas. O episódio ocorreu em 2009 e, conforme o JC publicou, um Escort conduzido por Adauto Aparecido Alves, 39 anos, foi literalmente esmagado por um caminhão carregado de placas de madeira, dirigido por Mauro Ferreira da Conceição, 45 anos.

Ambos nem chegaram a ser socorridos e morreram no local, tamanha a violência do impacto. Os veículos teriam colidido numa curva considerada perigosa.

A problemática pista espera pela ampliação. Segundo o que o JC tem divulgado, as próximas obras do governo do Estado pretendem duplicar a rodovia, numa primeira etapa, até o aeroporto Moussa Tobias. Posteriormente, de Arealva até Iacanga.