Rio - O enterro de Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, o atirador que invadiu uma escola municipal no Rio no dia 7, matou 12 crianças e se suicidou, ocorreu ontem no cemitério São Francisco Xavier, no Caju (zona portuária do Rio).
O sepultamento foi logo depois das 9h. "Não havia ninguém, nenhum parente??, disse o coveiro André Luiz de Oliveira, 31. Ele soube de quem se tratava pelos funcionários do IML, que levaram o corpo.
O enterro foi numa área de covas rasas, com até 1,20m de profundidade, destinadas a pessoas carentes. A cova na quadra 49 foi identificada pelo número 7708. Inscrito numa pequena cruz branca, fincada no chão de terra.
No meio da tarde, uma senhora de 62 anos que não quis dar o nome pediu que um funcionário do cemitério a acompanhasse até a cova, onde deixou um buquê de flores brancas e rezou por cinco minutos. "Sou piedosa. Vim porque me lembro de ele ter dito numa carta que queria que alguém rezasse por ele após sua morte", disse. Ela afirmou que não conhecia Wellington e nem morava perto da casa dele.
O prazo de 15 dias para que familiares reconhecessem o corpo só terminaria à meia-noite de ontem. Por causa do feriado, a família teria até segunda-feira, mas uma autorização judicial permitiu o sepultamento ontem.
Em carta encontrada com Wellington no dia do crime, ele pedia para ser enterrado no cemitério do Murundu, em Realengo, ao lado do corpo da mãe adotiva. Mas o IML nunca cogitou atender a esse pedido.
Coveiro diz que sentiu ódio
Rio - Há três anos trabalhando como coveiro, Leandro Silva Oliveira, de 25 anos, disse que nunca sentiu nada igual no exercício da profissão. Coube a ele enterrar o corpo de Wellington Menezes. "O sentimento foi de ódio. Acho que um cara desses não merecia ser enterrado", diz o coveiro.
O coveiro conta que o corpo exalava um cheiro muito forte em razão de ter ficado 15 dias no IML. Segundo ele, dois funcionários da Santa Casa queriam ver o rosto do atirador, mas caixão chegou fechado ao cemitério e permaneceu assim até ser colocado dentro da cova.