09 de julho de 2026
Geral

?Tenho o melhor emprego do mundo?

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Certamente, quem se deparou com o título desta reportagem ficou curioso em saber qual seria essa profissão e o porquê de ser a melhor do mundo. A resposta para a questão é simples: "Sou pago para beber". Foi com essa descrição cômica do próprio trabalho que o escocês Colin Pritchard iniciou uma degustação de uísques realizada na última segunda-feira em Bauru. Esse "melhor emprego do mundo" realmente enche os olhos - e a boca dos adeptos de um bom uísque -, uma vez que o cargo assumido por Colin desde 1997 é nada menos do que o de embaixador da empresa Johnnie Walker.

Trajado ao estilo escocês dos pés à cabeça - inclusive com o kilt, saiote masculino de comprimento da cintura até aos joelhos usado no país europeu -, Colin, nascido em Edimburgo, fala muito bem a língua portuguesa. O fato é fruto do casamento de 28 anos com uma brasileira, que além do aprendizado do idioma, resultou em três filhos e quatro netos.

As cerca de 70 pessoas que foram à degustação, realizada pelo grupo Comprando, puderam conhecer mais sobre "os melhores uísques". Além de duas vodkas que começarão a ser comercializadas no Brasil, os protagonistas do evento foram os famosos Green Label, Gold Label e o caríssimo Blue Label.

"Fazer uísque é uma arte. A degustação é exatamente para ajudar os presentes a entender essa arte. Digo isso porque é igual ao pintor que precisa fazer o mesmo desenho. É a mesma receita sendo feita em forma de arte", aponta o embaixador.

Além de saborear e entender as propriedades de cada um desses famosos uísques, Colin Pritchard falou sobre o "jeito certo de tomar a bebida". Na verdade, segundo ele, isso não existe. "Muitas pessoas me perguntam sobre a maneira correta de saborear o uísque, mas não há jeito certo ou errado. O correto é do jeito que a pessoa gostar".

Entretanto, segundo ele, a única ressalva é em relação ao gelo e à sua composição. "Tomar uísque com gelo não é errado. O que deve ser visto é a qualidade da água que foi transformada em gelo. A água que sai da torneira geralmente tem muito cloro e isso estraga o uísque. Se for colocar gelo, tem que ser gelo feito com água mineral", explica.

Outra questão é sobre o armazenamento. Colin explica que não se deve deixar o uísque exposto ao sol e, caso a garrafa seja aberta, não pode demorar muito para se consumir o produto. Questionado sobre o que fazer em situações em que reste muito uísque na garrafa aberta, o escocês tem uma fórmula bastante simples: "É só me convidar que eu ajudo a beber e acabar com esse problema".


Gosto e profissão


Realmente, caso o convite seja feito, Colin Pritchard não deve recusar. O escocês garante que o objeto principal de sua profissão é algo que começou desde que era bem pequeno. "Lá na Escócia, existe um remédio caseiro que é feito de mel, creme e uísque. É bastante usado quando as pessoas ficam resfriadas e apresenta ótimos resultados. Quando eu tinha 6 anos, eu fiquei doente e minha mãe me deu para que eu sarasse", conta.

Entretanto, o resultado não foi só a cura do resfriado. "No ano seguinte, minha mãe me encontrou rolando na neve. Eu queria pegar o resfriado de novo para poder tomar aquele remédio. Tomei uma surra da minha mãe por conta daquilo, e que fique bem claro: era só o remédio que podíamos tomar em situações extremas. Nunca tomávamos a bebida mesmo", relembra Colin, utilizando a brincadeira em tom também de alerta.

E o apreço pelo uísque não veio somente dessa experiência. O pai do escocês era engenheiro e trabalhava em uma caldeira na produção da bebida. "É algo de família. Cresci em meio à produção do uísque e só podia ter me tornado um especialista na bebida", conta o embaixador, que é formado em economia.

Mas como profissão, ele optou pelo "melhor emprego do mundo". Perguntado se não haveria mais alguma vaga por lá, Colin Pritchard logo encerrou o assunto. "Além de beber e ser pago para isso, quando chego tarde em casa, falo para minha mulher que estava fazendo hora extra. Mas, infelizmente, a fila de pessoas que querem esse trabalho é muito grande", concluiu, no mesmo tom bem humorado que guiou toda a degustação.

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?A cada segundo, uma garrafa
é aberta?, afirma embaixador


Segundo o embaixador da empresa Johnnie Walker, o escocês Colin Pritchard, o Brasil é um ótimo consumidor de uísque. De acordo com ele, a bebida é bem aceita mundialmente, uma vez que a taxa de consumo é bastante alta.

"Em todo o mundo, as pessoas adotaram bem o uísque. Temos estatísticas que apontam que, a cada segundo, uma garrafa é aberta", informa.

De acordo com Colin, é essa preferência que faz com que os consumidores paguem alguns dos altos preços dos uísques. "O mais caro de todos é o Blue Label. Ele é uma mistura de vários uísques raros. Para você entender, somente um barril em 6 mil tem a qualidade para que se faça o Blue Label. Quem aprecia o bom uísque sabe que o preço vale a pena".

E alguns dos uísques são realmente muito caros. Para se ter uma noção do valor, no Brasil, um litro do uísque Blue Label custa cerca de R$ 600,00.

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O Ministério da Saúde...


...adverte: o consumo crônico do álcool está ligado a doenças como o câncer - de boca, esôfago, estômago e fígado -, cirrose, alterações no sangue, problemas no pulmão e coração, lesões cerebrais e até mesmo desordens mentais.

Além disso, o consumo do álcool aparece frequentemente associado a tragédias ocorridas no trânsito ou em agressões e desordens públicas.