O sabor e o modo de produção peculiares das famosas farinhas, doces, carne seca e tantos outros itens da culinária típica nordestina estão entre os principais motivos que justificam a grande procura por produtos da região. Em Bauru, diversas casas e empórios oferecem uma gama de produtos do Nordeste e garantem que as iguarias fazem parte do cardápio tanto de migrantes e não migrantes do Estado.
"Está muito na moda, as receitas de comidas se popularizaram, então as pessoas, geralmente por curiosidade, não deixam de experimentar. Normalmente acabam gostando", aponta o paulistano Fábio Barrezzi, proprietário de um empório na área central da cidade há mais de cinco anos. Para o comerciante, o sabor característico dos produtos é o que justifica tanto a procura.
"A farinha do Nordeste, por exemplo, não é lavada para a retirada do polvilho e por isso possui um sabor mais forte; todo o modo de produção é muito específico, da maneira que é só feita lá, então os produtos são muito diferenciados", explica. "É uma comida muito saborosa, mais forte, mais gordurosa", resume o piauiense José Rodrigues, proprietário de outro empório especializado, que fica também no Centro da cidade.
Todo esse sabor é o que faz a bauruense Maria de Fátima Gasparotti de Lima, descendente de italianos, incluir a carne seca em, pelo menos, quatro pratos do cardápio de sua família. "Em casa todos nós adoramos a carne, as farinhas. O escondidinho é a receita preferida, mas eu faço a carne seca refogada, coloco na sopa, comemos com mandioca", enumera.
A dona de casa ainda faz questão de comprar o produto vendido pelas casas especializadas. "Já comprei outras vezes no supermercado, mas o sabor não é o mesmo. As vendidas nas ?casas do norte? são muito mais saborosas", recomenda.
Para Aparecida do Nascimento, dona de uma Casa do Norte no Jardim Redentor, a razão de tantas pessoas de outras origens procurarem por produtos nordestinos é porque "todos nós temos um pézinho lá", brinca.
Saudade
Já o consumo por iguarias nordestinas por migrantes da região, para Aparecida - que é filha de pais baianos - pode ser traduzido como uma forma encontrada para matar a saudade e revisitar as origens. "E quem é de lá sabe a diferença entre os produtos e é exigente", destaca.
Segundo a comerciante, entre os produtos mais procurados estão as cachaças, rapaduras, carne seca, feijões e farinhas. O artigo que também tem destaque no estabelecimento de Aparecida são os artesanatos, vindos, principalmente, do Ceará.
"São os chinelos feitos em couro, os chapéus, os artigos em palha e as gamelas (vasilhas esculpidas em madeira)", enumera. Em Bauru, de acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vivem 11.826 migrantes vindos dos sete Estados do Nordeste.