Quatro quilos e meio a menos na balança e sinais de muitos sofrimentos pelos 30 dias de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) valeram a pena para o auxiliar de etiquetas de uma empresa de baterias de Bauru, que fez um transplante de pâncreas e rim no Hospital da Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB), no início deste ano.
"Eu nasci de novo. Ainda estou em tratamento, mas acredito que em seis meses vou me livrar das limitações momentâneas, da hemodiálise e das cãibras que me fizeram experimentar injeção de morfina. Vou voltar a trabalhar e, pelo que sei, a empresa vai me aceitar no mesmo cargo", diz Cláudio Luiz Nogueira, 49 anos.
Ele é um dos pacientes que tiveram muita sorte e encontraram em pouco tempo um doador. "Foi um fato inesperado. Eu tinha uma consulta marcada para o dia 7 de fevereiro lá em Botucatu. Era quando eu ia saber quanto tempo ia demorar para conseguir um doador, como ia ser feita a cirurgia. Só depois eu entraria na fila de espera. No dia 24 de janeiro, às 23h30, o médico ligou avisando que tinham achado um pâncreas compatível comigo e o transplante ia ser feito no dia seguinte. Não deu tempo nem de ficar nervoso."
Ele diz que não sabia de onde vinham os órgãos. "Fiquei sabendo depois, veio de São José do Rio Preto. Não conheço a família. Só sei que com o transplante ganhei qualidade de vida. Ainda é recente, demora seis meses para que o transplantado volte a ter uma vida normal."
Nogueira frisa que, segundo os médicos, os primeiros seis meses de pós operatório são os mais críticos. "Porque corro o risco de ter uma infecção. Em função disso, tenho limitações, restrições alimentares e hábitos de vida. Não posso comer frituras, alimentos condimentados, embutidos. Não posso frequentar locais fechados e com grande aglomeração de pessoas. Quando necessário tenho que usar máscara, mas somente até ter alta médica."
Nessa fase do pós-operatório, comenta o transplantado, ele continua passando por uma série de exames. "Vou a Botucatu de 15 em 15 dias e conforme o resultado dos exames, o grupo de especialista, vão liberando a alimentação e as limitações."
O período mais difícil do transplante, segundo Nogueira, foram os 30 dias de UTI. "Tive uma infecção do lado direito, pneumonia e uma série de complicações. Fiquei mais de 20 dias entubado, cheio de aparelhos pelo corpo. A alimentação era líquida e venosa. Quando pensei que ia melhorar, começou uma febre que ninguém descobria a causa, depois descobriram que era um catéter que estava do lado direito. Apareceu fungos no coração que ainda estou tratando."
Mesmo com todas as dificuldades, o auxiliar considera que a cirurgia foi o melhor caminho. "Descobri que era diabético tipo I aos 32 anos. Passei a usar insulina. Depois veio a hemodiálise e uma série de tortura, as cãibras que me obrigaram a tomar injeção de morfina. Um dia fique das 9h da manhã às 23h internado com cãibra no corpo todo."
Para ele, o restabelecimento é questão de tempo. "Meu emprego está me esperando. Fiquei afastado, mas sei que quando eu voltar, meu lugar está lá. Acredito que eles entenderam porque muitas vezes assistiram o meu sofrimento. Passava mal e meus colegas de trabalho me levavam para o atendimento médico. Vou me livrar das dores horríveis que sofria."