Guantánamo - Um megavazamento de documentos secretos sobre a prisão da base militar americana de Guantánamo (Cuba) divulgado ontem revela detalhes de mais de 700 detentos que passaram pelo local e novas informações sobre os 172 que ainda estão lá detidos.
Os papéis foram obtidos pelo WikiLeaks, responsável por revelar mais de 250 mil documentos sigilosos do governo dos EUA no fim do ano passado, e por veículos como o americano "New York Times" e o espanhol "El País". Fazem parte dos novos vazamentos centenas de relatos produzidos por oficiais de inteligência entre fevereiro de 2002 e janeiro de 2009.
Os documentos revelam casos de detenções a partir de provas que seriam insuficientes para justificá-las, episódios de tensão entre prisioneiros e carcereiros, doenças desenvolvidas pelos presos e o desespero diante das condições do encarceramento. Entre os 172 suspeitos que ainda se encontram detidos, a maior parte é considerada de "alto risco" para os EUA e seus aliados se soltos sem uma supervisão adequada.
Cerca de um terço dos cerca de 600 que já foram transferidos para outros países, no entanto, também tinha essa classificação, revelando a arbitrariedade das autoridades na decisão sobre solturas.
Em outros momentos, são relatadas "áreas para potencial exploração" em interrogatórios em relação a presos que já se encontravam na prisão havia seis ou sete anos.
Os papéis, segundo o "New York Times", tratam pouco das chamadas técnicas duras de interrogatório -na verdade, tortura- denunciadas por críticos da prisão, como ONGs, organismos internacionais e ex-detentos . E ainda acusam vários dos presos de inventarem histórias sobre os abusos a que eles teriam sido submetidos.