11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Controle da inflação não ?punirá? o consumidor, diz economista da Fiesp

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Controlar a inflação, ao contrário do que parece para a maioria da população, pode não ser algo tão positivo aos consumidores de imediato. O fato é que, para conter a escalada inflacionária, são necessárias medidas que forcem a diminuição do consumo, como por exemplo, o aumento da taxa básica de juros (Selic). Entretanto, os consumidores não precisam ficar alarmados, uma vez que essas medidas não devem prejudicar o poder de consumo da população.

A avaliação é do vice-presidente do Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e diretor titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da instituição, Paulo Francini.

"Quando um paciente está doente, o médico não quer matá-lo, mas sim curá-lo. É exatamente isso que deve e acredito que será feito para controlar a inflação", prevê, alertando que é preciso conter a taxa de juros, porém, o consumidor não deve ser prejudicado de forma intensa.

Francini - que esteve em Bauru ontem para ministrar a palestra "Cenário Econômico, o que devemos esperar?" - explica que o Brasil vive um período de razoável atividade econômica (leia mais abaixo). Assim, o governo deve levar isso em conta ao tomar as medidas para o controle da escalada inflacionária. "O País atingiu um nível de bem-estar na sociedade. E as medidas do governo não devem mudar isso", completa.

Atualmente, a inflação acumulada em 12 meses está perto do teto da meta, que é de 6,5%. Durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) do governo, a presidente Dilma Rousseff declarou que vai fazer o possível para controlar a inflação. Todavia, tratou de amenizar a questão dizendo que fará isso sem prejudicar o desenvolvimento econômico.

Porém, mesmo com as declarações da presidente e prevendo que o bem-estar social dos consumidores não será bruscamente afetado, Paulo Francini informa que as medidas de controle da inflação realmente precisam colocar freios nas atividades econômicas.

"Sempre que o governo toma alguma medida para conter a inflação, é algo para frear as atividades econômicas. São medidas que seguram o consumo. Mesmo não acreditando que será de forma intensa, é claro que diminuindo a demanda, as indústrias precisarão diminuir a produção", esclarece as consequências desse controle nos meios produtivos.

Essas estratégias comumente utilizadas para reduzir o consumo são chamadas de medidas macroprudenciais. Em suma, elas agem na redução do consumo com o desaquececimento do crédito concedido.

Segundo Paulo Francini, sobre o crescimento econômico do País, 2011 apresentará taxa de inferior à do ano passado. "Em 2010, a taxa de crescimento foi grande pois era um período de recuperação. Este ano, creio que ficará entre 4% ou 4,5%".


Inflação


Especificamente em relação ao problema da inflação, Francini é otimista em relação a essa questão. Para ele, o governo conseguirá nos próximos anos trazer a taxa inflaiconária para o centro da meta, que é de 4,5%.

"O governo já dá sinais dessa preocupação e de que vai conseguir resolver esse problema. Mas ainda é cedo para analisar. Sempre quando troca uma gestão, o governo precisa se ajustar. Ele faz isso nos primeiros quatro meses e estamos no final de abril ainda", aponta.

Ainda segundo ele, a inflação não é apenas um problema do Brasil, algo que já foi marcante há alguns anos. Francini explica que "em vários países, existe a escalada inflacionária. Na China, por exemplo, a taxa já está em 5,4%. Por isso, não é algo tão alarmante. Já houve épocas em que nossa inflação era muito maior do que em todos os outros países".

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Palestra


Na noite de ontem, o vice-presidente do Conselho Superior de Economia da Fiesp e diretor titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da mesma instituição, Paulo Francini, ministrou uma palestra no Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru.

Intitulada "Cenário Econômico, o que devemos esperar?", a palestra tratou das oportunidades e os riscos da atual fase de crescimento da economia mundial e a capacidade do Brasil de reunir condições para aumentar o seu potencial de crescimento.

"A ideia é, além do Brasil, fazer um panorama de países como Estados Unidos, Japão, China, Índia e também da Europa. Em relação ao cenário econômico do nosso país, a palestra também foca os grandes desafios atuais, que é o gasto público, a questão tributária, a previdência e também a educação, que é fundamental economicamente", completa.

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Alerta para ?desindustrialização?


Segundo Paulo Francini, um dos maiores desafios a serem enfrentados atualmente na economia brasileira é o da "desindustrialização". A expressão simboliza as consequentes perdas das indústrias de transformação frente aos produtos importados.

A indústria de transformação compreende as atividades que envolvem transformação física, química e biológica de materiais, substâncias e componentes para obtenção de outros produtos. São exemplos desse setor indústrias de produtos alimentícios, bebidas, vestuário, papel, combustível, eletrônicos, veículos, entre outros.

Francini explica que o baixo valor do dólar, que ontem estava em R$ 1,56, é um dos principais responsáveis por esse problema. "Pela concorrência com os produtos importados, já perdemos no primeiro trimestre deste ano cerca de 120 mil empregos internos que poderiam ter sido gerados".

Esses números são ainda mais expressivos se comparados os últimos anos. De acordo com Paulo Francini, em 2008, o número de empregos internos calculado com base na diferença entre as exportações e importações do Brasil era positivo de 388 mil. Em 2010, esse valor caiu para 111 mil negativos.

"Se analisar o período compreendido entre esses anos, a indústria de transformação perdeu 500 mil empregos para os produtos importados. Hoje, o setor está instável. O empresariado tem que saber se defender disso. Alguns já estão até mesmo produzindo no Exterior para exportar para o Brasil. O ideal seria conciliar essas defesas dos empresários com o desenvolvimento econômico do País", conclui.