08 de julho de 2026
Nacional

Requião afirma que sofreu ?bullying?

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Um dia depois de retirar o gravador de um repórter, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) subiu à tribuna do Senado ontem para justificar o gesto ao afirmar que reagiu a uma tentativa do jornalista de acuá-lo com perguntas agressivas.

Com diversas críticas à imprensa, Requião disse que ficou com o aparelho para evitar que sua entrevista fosse editada de forma a "desmoralizar um parlamentar sério". Segundo o senador, o repórter da Rádio Bandeirantes tentou lhe aplicar uma "armadilha" com "perguntas encomendadas", numa atitude de "bullying" que marca parte da imprensa brasileira.

"Temos que acabar com o abuso, o bullying que sofremos nas mãos de uma imprensa às vezes provocadora e muitas vezes irresponsável", disse.

Requião afirmou, sem citar nominalmente veículos de comunicação, que a imprensa se acostumou a "plantar ruídos que se afastam completamente da verdadeira natureza dos fatos". Sobre a retirada do gravador, disse que "há momentos em que a indignação é uma virtude".

Sem se mostrar arrependido pelo gesto, Requião disse que anteontem "perdeu a paciência" com o repórter. "Talvez não devesse, mas perdi." O senador afirmou que vai reapresentar no Senado o projeto que regulamenta o direito de resposta na imprensa para garantir espaço às "partes lesadas" na mídia.

Requião já havia apresentado a matéria em sua passagem anterior pela Casa, mas o texto acabou arquivado pela Câmara. "A falta de um instrumento como esse tem me deixado, e a tantos brasileiros, impossibilitado de defesa quando vítima de informações não verdadeiras."

No discurso, Requião falou sobre a aposentadoria de R$ 24 mil que recebe como ex-governador do Paraná - tema da pergunta do repórter Victor Boyadjian, da Rádio Bandeirantes, que provocou a irritação do senador.

O peemedebista disse que decidiu solicitar a pensão por viver um momento de dificuldade financeira na família, depois de receber cobranças de dívidas judiciais.

Ele ainda reclamou do valor do salário dos parlamentares, fixado em R$ 26,7 mil. "O salário de um senador é inferior a de um servidor estatutário. É inferior ao de milhares de juízes", disse.

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Após caso, Senado escolhe novo corregedor-geral


Brasília - O Senado elegeu ontem, com três meses de atraso, o corregedor da Casa, indicado pelo senador José Sarney (PMDB-AP).

O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) foi eleito corregedor pelo plenário da Casa, assim como os 15 senadores que vão compor o Conselho de Ética. Entre os novos membros do conselho, está o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que respondeu a cinco processos por quebra de decoro parlamentar no colegiado em 2007.

As indicações ocorreram um dia depois do caso do senador Roberto Requião. Como ainda não havia corregedor, o repórter Victor Boyadjian não conseguiu registrar queixa contra o senador. A Polícia do Senado se recusou a registrar ocorrência ao argumentar que o órgão não tem competência para investigar parlamentares. A Corregedoria e o Conselho de Ética são responsáveis por investigar e decidir sobre conduta e decoro parlamentar.

Ontem, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), minimizou a demora da escolha do corregedor ao afirmar que há uma "sobrecarga" muito grande de trabalhos na Casa. A indicação do corregedor deve ser feita pelo presidente do Senado e, posteriormente, à análise do plenário.

"Somos 81 (senadores), temos 12 comissões e 22 subcomissões, de maneira que o cargo de corregedor demanda certa dedicação, e muitos estão comprometidos", afirmou.