10 de julho de 2026
Política

Quem mora na lama não poupa Rodrigo

Nelson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Não basta implantar asfalto. O bauruense, sobretudo da periferia e que mora há anos em rua de terra, cobra do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) agilidade na execução das promessas da campanha eleitoral de 2008 e clareza nos critérios adotados para estabelecer a prioridade na hora de decidir onde aplicar os recursos vindo dos impostos. Ontem à noite, na audiência pública realizada na Câmara Municipal de Bauru exatamente para saber do Executivo os critérios adotados no plano de pavimentação, a população questionou bastante.

À parte a esperada elevada dose de angústia e ansiedade de quem convive há muito tempo com a poeira e a lama no cotidiano, cidadãos de diferentes bairros quiseram entender a postura do prefeito na hora de definir onde aplicar os recursos. Assim, presidida pelo vereador Roque Ferreira (PT), a audiência consumiu pouco mais de uma hora com a apresentação do amplo plano de investimentos em infraestrutura, pelo secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, e outros 60 minutos em um a sequência de reclamações e críticas.

O microfone do plenário teve uma fila de líderes comunitários e donas de casa de bairros como o Santa Edwirges, Jardim Nicéia, Parque Real, Jardim Eldorado II, Parque Sergipe, Vila Industrial e Parque Bauru, todos interessados em saber por que o asfalto não chega à porta de suas residências.

Apesar do esforço de Eliseu Areco em direcionar a apresentação sob o ponto de vista técnico e de engenharia, os moradores não pouparam críticas na direção dos critérios políticos na hora de decidir qual rua é atendida e qual fica de fora no plano de asfalto. A ausência de Rodrigo também foi bastante criticada.

Marisa Melo quis saber por qual razão a prefeitura não elimina depressão na ligação entre os bairros Jardim Ivone e Pousada da Esperança, o que gerou obstáculo à circulação até do ônibus do transporte coletivo. O secretário lamentou que á manutenção do trecho de terra foi realizado o mês passado, mas a chuva veio e, como sempre, arrasou o nivelamento provisório. A solução definitiva terá de aguardar a instalação de galerias. Só depois virá o asfalto.

Fila no microfone


Joana Miguel, do Jardim Niceia, reclamou que instalações precárias levaram o que está na rede de esgoto do DAE para as galerias de águas pluviais, ampliando os problemas por lá. Areco lembrou que o bairro sofre ocupação irregular há anos e, nos últimos dias, houve finalmente acordo para remoção. Depois disso é que virá a instalação de galerias. "É um médico correndo atrás de 100 doentes. É o que é possível executar agora. O esgoto, o DAE tem de ver", citou.

Nivaldo Machado, do Parque Bauru, lamentou a mania do prefeito em prometer benfeitoria em toda visita nos bairros. "O Rodrigo já fez duas reuniões e garantiu que ia asfaltar. Se não vai fazer não promete para não criar expectativa falsa", lançou. Cidinha da Silva, da Vila Industrial, se juntou a outros moradores do bairro para dizer no microfone da Câmara que o prefeito havia elencado a rua Tiradentes prioridade por ser corredor de ônibus coletivo.

"Lá é rua com casas em áreas de risco e passa ônibus. O prefeito disse que era prioridade, mas no mapa das 513 quadras para asfaltar a rua não está, assim como a rua Walter Rodolfo. Por quê?", questionou.. Eliseu Areco ponderou que na região o programa de galerias tem de ser extenso, inclusive com readequação do dimensionamento dos tubos, o que exige investimento de pelo menos R$ 1,2 milhão.

As falas no microfone seguiram com críticas e reclamações. Francisca afirmou: "Atolei a van escolar que é meu trabalho na rua onde moro e estamos esperando". "No Santa Edwirges até a rua do Posto de Saúde continua com lama e toda semana tem caminhão atolado lá", disparou outra bauruense.

Carlos Arruda resumiu o clima de angústia e de, pelo menos, espera por uma postura clara, sincera, do prefeito: "O passado de desmandos agravou a falta de recursos, mas nossa briga é com o prefeito que não veio aqui explicar o que é prioridade, porque administrar é escolher prioridade".

Seguido a ele, se somaram inúmeros outros moradores descontentes com o fato do prefeito preferir o erro do "sim" da promessa descompromissada quando conversa nas ruas, como Poliana Pereira, do Santa Edwirges; Joana Miguel, do Niceia; Cícero Silva, do Real; Francisco Bernardino, do Eldorado II; Santina Izabel, do Parque Sergipe; e muitos outros.

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Metade do plano de asfalto ainda espera galerias


O resumo do plano de pavimentação apresentado na audiência pública realizada ontem na Câmara mostra que o governo Rodrigo Agostinho (PMDB) é refém de um problema estrutural antigo: a maior parte das 3.500 quadras de ruas de terra não conta com instalações básicas necessárias antes de vir o asfalto, sobretudo as galerias de águas pluviais.

Segundo os dados apontados pela Secretaria Municipal de Obras, das 641 quadras contratadas na segunda etapa do plano de pavimentação (já com o aditivo), 255 não podem receber asfalto por não contar com galerias.

Por isso, a prefeitura só conseguiu com que as empreiteiras contratadas por licitação realizassem 213 quadras. Ou seja, faltam 427. Dessas, a execução só é possível em 60 locais. Os dados demonstram, dessa maneira, porque as empreiteiras têm dificuldades em dar fôlego às obras. No lote 1 da licitação, a H. Aidar tem 215 quadras contratadas, mas executou somente 21 até agora. Do restante, somente 38 podem receber o asfalto de pronto. Outras 117 quadras terão de esperar benfeitorias.

No lote 2 não é diferente. De 208 quadras em contrato, 44 saíram, mas apenas outras 22 vão receber as equipes de pronto. Em 99 quadras listadas no contrato não há galerias. O lote 3 é o em melhor condição. A Jaupav já fez 147 das 218 quadras assinadas com a prefeitura e apenas 39 esperam obras complementares para o asfalto chegar.

Além disso, a Secretaria de Obras enfrenta uma série de outros "obstáculos" ao avanço do plano de pavimentação. São ruas com problemas de alinhamento, calçadas invadidas por construções irregulares, postes instalados desordenadamente, desníveis em topografia também por fundações irregulares de construções, instalações com problemas de redes de água e esgoto e desajustes em drenagem, além da necessidade de correções do sistema antigo executado pelo DAE e as chuvas.