09 de julho de 2026
Rural

Cana tem 55,6% da área plantada em SP já com mecanização


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O setor sucroalcooleiro do Estado de São Paulo terminou a safra 2010/11 com 55,6% do total de sua área colhida mecanizada. Foram 2,627 milhões de hectares com cana colhida crua ante um total de 4,728 milhões de hectares plantados no território paulista.

Segundo o secretário do Meio Ambiente, Bruno Covas, o resultado está dentro das metas propostas pelo Protocolo Agroambiental em 2007, assinado pelo governo paulista e pelo setor.

O protocolo prevê que até 2017 toda a colheita de cana esteja mecanizada em São Paulo, com a eliminação total das queimadas. O protocolo antecipa em 14 anos o previsto pela lei 11.242/02, que prevê a extinção das queimadas em 2031.

Covas explica que a meta era chegar em 2010 com 70% dos canaviais de usinas mecanizados e 20% dos canaviais de fornecedores mecanizados e o resultado foi de 70,3% dos canaviais das usinas e 21,1% das plantações dos fornecedores.

"A próxima meta a ser atingida é chegar a 90% da área total mecanizada até 2014", disse o secretário. Segundo ele, os 10% restantes correspondem a áreas que são muito inclinadas e que não seriam mecanizadas. "Nestas áreas, a expectativa é que mudem de atividade", disse.

Covas disse que os usineiros já deixaram de investir na renovação de canaviais que fiquem nestas áreas mais inclinadas e que não suportam a mecanização, que somam um total de 500 mil hectares. Nestas áreas, Covas acredita que a cana será substituída por florestas energéticas, para produção de energia, como eucalipto ou sorgo.


Linha de crédito


Covas disse, contudo, que a crise econômica de 2008 fez com que a velocidade do processo de mecanização se reduzisse, principalmente entre os pequenos fornecedores. Segundo ele, está em estudo uma linha de crédito para estes produtores na Nossa Caixa Desenvolvimento, com juros baixos.

"Estes produtores também estão se organizando em condomínios rurais para compra de equipamento e máquinas que sejam utilizados em conjunto", disse. Hoje, o Estado de São Paulo já conta com 2.200 máquinas de colheita, dos quais menos de 10% estão fora das usinas.

Desde o início do protocolo, 3,8 mil hectares deixaram de registrar a queimada de cana, reduzindo as emissões em 14,2 milhões de toneladas de poluentes e 2,4 milhões de toneladas de CO2. "A meta do governo é de reduzir em 20% as emissões registradas em 2005 até 2020", disse.

Palha de cana


O secretário conta que a mecanização já realizada pelo setor está criando um estoque de 32 milhões de toneladas de palha, que está sendo deixada no campo.

"Em quatro anos, este volume atingirá os 70 milhões de toneladas ao ano, que se tornarão um problema se não for encontrado um destino para eles", disse.

O objetivo é utilizar a palha para a produção de energia através de cogeração. "O potencial de produção das usinas com o bagaço e esta palha que está sendo produzida pela mecanização é de 3.800 megawatts, quase uma Usina Belo Monte", afirma.

Porém, a utilização da palha da cana - que antes era destruía pelas queimadas - depende de investimentos para obtenção de formas de separação da palha no momento da colheita, e também de investimentos no retrofit das usinas.

"Mas com o preço pago pela energia, estes investimentos não estão sendo realizados", disse. Segundo ele, de 180 usinas que estão ativas no Estado de São Paulo, apenas 54 estão produzindo energia a partir de bagaço de cana.