Depois de emocionar os bauruenses durante apresentação na Paróquia Universitária, em novembro, João Carlos Martins retorna à região para uma série de concertos. Com a Orquestra Filarmônica Bachiana Sesi-SP, o maestro apresenta-se hoje em Botucatu e nos próximos dias 13 e 14 em Lençóis Paulista e Agudos, respectivamente. As apresentações são promovidas pela Duratex, em comemoração aos seus 60 anos.
Modelo de superação e conhecido por sua história de sucesso ao piano e como regente, Martins diz que em concertos abertos - como o que será realizado Praça da Catedral Metropolitana de Botucatu - ele sente-se próximo do público. "No concerto feito em praça você consegue uma comunicação com todos os segmentos da sociedade. E a música clássica não é feita simplesmente para a elite que frequenta a Sala São Paulo; ela é para todos", defende.
Segundo Martins, à excelência musical que sempre perseguiu na sua carreira como pianista - ele foi considerado um dos melhores que o Brasil já teve pela crítica nacional e internacional - foi adicionado o dever de popularização da música clássica. "Quando aos 63 anos, por obra do destino, eu tive que me transformar em maestro, procurei assumir uma responsabilidade social".
"E essas apresentações abertas geram muita emoção, porque muitas das pessoas que estão assistindo estão tendo contato com este fantástico universo pela primeira vez", completa o homenageado pela escola de samba Vai-Vai, campeã 2011 do Carnaval de São Paulo. Acostumado a essas e a tantas outras emoções que facilmente transbordam durante os concertos, o maestro experimentou, em março, lágrimas vindas em ritmos de samba. "Nada se compara a entrar no sambódromo com 30 mil pessoas e com uma escola de samba como a Vai-Vai cantando a história da sua vida", afirma. O episódio fez Martins descordar de Roberto Carlos, homenageado pela Beija-Flor. "Ele disse que se emocionou bastante, mas que Carnaval não era lugar de choro. Essa foi a primeira e única vez que eu discordei do meu amigo, porque quando o choro é resultado da emoção, é choro de alegria, é válido no Carnaval e em qualquer lugar".
Concerto
No concerto em Botucatu, João Carlos Martins irá reger 40 músicos da Filarmônica Bachiana. O repertório conta com grandes nomes da música clássica como Beethoven, Verdi, Brahms, Piazolla e Mozart. O programa ainda inclui uma apresentação do maestro ao piano - Martins ainda toca com três dedos da mão esquerda. "Não como exemplo de superação, mas de teimosia mesmo", brinca.
Entre os 9 e 14 anos, Martins acumulava 50 apresentações em auditórios. Aos 26 anos, quando já fazia sucesso em Nova York, caiu em jogo de futebol no Central Park e teve o braço direito perfurado. Para não abandonar a carreira, adotou uma dedeira de aço e passou a encerrar as apresentações com a mão sangrando. Anos depois, na Bulgária, foi assaltado quando saía de um ensaio, sofreu uma agressão na cabeça com uma barra de ferro e teve os movimentos da mão severamente afetados. Também sofreu por problemas genéticos e Lesão por Esforço Repetitivo (LER). Ao todo, passou por nove cirurgias nas duas mãos.
"Uma pessoa que perdeu a perna, que ficou tetraplégica ou perdeu a visão tem um problema muito maior que o meu. Mas, com a exposição na mídia, meu exemplo acabou servindo para milhares de pessoas. Eu procurei transformar cada adversidade da minha vida em uma plataforma para crescer. Sempre que me apresento procuro passar uma mensagem forte, mostrando que não podemos perder a esperança no futuro".
? Serviço
Concerto do maestro João Carlos Martins hoje, às 20h, na Praça da Catedral de Botucatu. A participação é gratuita, mas serão aceitas doações espontâneas de leite. Em caso de chuva, evento será no Teatro Municipal Camillo Fernandez Dinucci (Praça Coronel Moura, 27, Centro).