Brasília - O diretório nacional do Partido dos Trabalhadores elegeu na tarde de ontem o deputado estadual Rui Falcão (SP) para a presidência do partido até 2013.
Ele já ocupava o cargo interinamente desde 22 de março, quando o agora ex-presidente José Eduardo Dutra solicitou licença médica.
Dutra renunciou no fim da manhã de ontem em um discurso emocionado durante a reunião do diretório.
Aos prantos, ele leu o laudo médico e disse que sua epilepsia afeta o humor ao ponto de ter passado dois dias e meio trancado num quarto.
"Para cumprir seu papel, o PT não pode estar fragilizado nem dividido", afirmou.
Dutra foi aplaudido por cerca de minuto pelos petistas. Ele continuará como membro do Diretório Nacional.
A eleição de Rui Falcão foi por aclamação, inclusive por membros da chapa adversária de Dutra na última eleição. Sucessão
No meio da semana, ao serem informados sobre a eminente renúncia de Dutra, membros da cúpula do PT chegaram a cogitar o nome do senador Humberto Costa (PT-PE) para a sucessão petista.
No entanto, havia dúvidas sobre a data da eleição, já que o congresso nacional do partido só aconteceria em setembro.
Parte dos petistas defendiam a tese de que Dutra, em vez de renunciar, prorrogasse sua licença para que Falcão ocupasse o cargo interinamente pelos próximos quatro meses.
Quando Costa afirmou que não disputaria ao cargo, o nome de Rui Falcão se firmou para a sucessão.
A opção por elegê-lo ainda ontem foi uma forma de evitar a instabilidade política dentro da legenda.
Nega ajuda de Dirceu
O presidente eleito do PT, deputado estadual Rui Falcão (SP), negou qualquer ajuda do ex-ministro José Dirceu na sua escolha para o cargo.
Ele disse ainda que a presidente Dilma Rousseff também não se opôs a sua indicação. "As críticas são comuns, mas elas não são verdadeiras no caso. Primeiro porque não há incompatibilidade com a presidente Dilma. Temos amizade profunda por ela e até já militamos juntos no passado. O companheiro José Dirceu em nenhum momento interferiu no processo eleitoral", afirmou Falcão.
Rui Falção também disse, após sua eleição, que a volta do ex-tesoureiro Delúbio Soares não estava na pauta da reunião de ontem.
"Não está na pauta ainda. Essa questão vai ser objeto de debate e deliberação no diretório nacional", afirmou.
Falcão disse que sua gestão tentará unificar o PT. "A minha primeira missão é garantir a unidade do PT e cumprir as tarefas preparatórias para as eleições de 2012 e a realização da reforma política eleitoral", afirmou.
Sobre o papel atual da oposição, o novo presidente do PT disse que os oposicionistas são fundamentais para a sociedade e, por esse motivo, precisam se organizar.
Ele disse ainda que a atualmente a oposição está fragilizada porque as ideias ainda são do passado.
"A gente acha que a oposição é essencial para o funcionamento do regime democrático. E se a oposição está fragilizada hoje é justamente porque num período recente, ela se conduziu por ideias do passado. Quando essas ideias são superadas ou entram em crise, a oposição fica sem projeto, cai em crise e se fragmenta. É isso que nós estamos vivendo ontem", disse.
Volta a negar ter vazado dossiê
Brasília - O presidente do PT até 2013, o deputado estadual Rui Falcão (SP) foi obrigado a se defender em seu discurso de posse.
Numa votação que representa a volta do poder para o PT de São Paulo, ele afirmou que sua missão é garantir apoio ao governo Dilma Rousseff. Foi uma tentativa de aplacar rumores de que sua vitória afronta o governo federal.
Falcão foi protagonista de um dos momentos mais delicados da disputa presidencial, em 2010, quando foi acusado de vazar dossiê produzido pela inteligência da pré-campanha de Dilma. Ontem, voltou a negar a acusação.
"De nossa parte nunca existiu. O PT não fez dossiês, nós não nos envolvemos com nenhum tipo de dossiê", afirmou. Falcão negou ainda que sua eleição seja uma demonstração de poder do ex-ministro José Dirceu.
"As críticas são comuns, mas elas não são verdadeiras no caso. Primeiro porque não há incompatibilidade com a presidente Dilma. (...) O companheiro José Dirceu em nenhum momento interferiu no processo eleitoral", disse.
Em seu discurso, Falcão registrou a presença do amigo Dirceu e prometeu uma "direção coletiva" da legenda. Além de Lula e Dirceu, Falcão dividirá no dia a dia o controle da sigla com Paulo Frateschi e Elói Pietá.