O Parque Vitória Régia será palco da celebração do Dia do Trabalho hoje, com a banda Cidade Negra fechando a programação, às 21h30, organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), subsede Bauru.
Dirigente coordenador da CUT-Bauru, Francisco Wagner Monteiro, o Chicão, acredita que o Primeiro de Maio deva ser compreendido como uma data de homenagem aos trabalhadores. "É claro que faremos nossas reflexões em cima de nossas bandeiras de luta, como a redução da jornada de trabalho e revisão da carga tributária para os trabalhadores", enfatiza o sindicalista.
A festa no Vitória Régia é celebrada pelo terceiro ano consecutivo e conta com o apoio da Prefeitura de Bauru, do Jornal da Cidade e outras empresas. "Depois de muitos anos participando da tradicional concentração na cidade de São Paulo, começamos a fazê-la aqui na cidade. O objetivo é, cada vez mais, envolver os trabalhadores nessa celebração e agregar o apoio do empresariado também é fundamental", reforça Chicão.
As atividades devem começar a partir das 9h. Serão oferecidos atendimentos de saúde, como medição de pressão arterial, consultas jurídicas, orientações previdenciárias com o respaldo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e esclarecimentos da Caixa Econômica Federal (CEF) a respeito do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.
Além disso, a comunidade terá atrações culturais que serão realizadas hoje. O destaque vai para a banda Cidade Negra, que fará o show de encerramento a partir das 21h30.
O vocalista Toni Garrido, que anunciou seu desligamento da banda Cidade Negra em 2008 com a intenção de reciclar sua carreira artística e investir em projetos paralelos, como participação em telenovelas.
De volta ao grupo em novembro de 2010, o cantor Toni Garrido promete agitar o público presente com os sucessos que o consagraram na década de 1990, com bases no reggae e influência do soul e do pop rock. A banda Cidade Negra, composta também pelo bateirista Lazão e pelo baixista Bino Farias, foi formada em 1986, na Baixada Fluminense.
A reaproximação, que, de acordo com os integrantes do Cidade Negra, aconteceu de forma natural e espontânea no fim do ano passado, já rendeu a gravação de um novo single, ?Ninguém pode duvidar de Jah?, que não deve ficar de fora do repertório do show de amanhã.
Bem antes disso, às 10h30, o grupo Maracatu Amukenguê vai se apresentar. A capoeira também marcará presença na festa com mestre Denilson e convidados.
Para as 14h, está marcado espetáculo do Grupo 100% Afro: ritmos afro-brasileiros, seguido por uma roda de samba, às 16h, com a presença do músico Mário Sérgio, do tradicional Fundo de Quintal. Antecedendo o show principal, o grupo Afroreggae, criado na comunidade do Vigário geral no Rio de Janeiro, subirá ao palco do Vitória Régia. Outros grupos locais também vão se apresentar na ocasião.
África-Brasil
A relação do país com o continente africano é o tema central em todo o País das comemorações da CUT pelo Dia do Trabalho. Por conta disso, Chicão explica que todas as atrações escolhidas para a festa no Vitória Régia têm relação com a matriz cultural africana e envolvimento com ações sociais. "As influências estão presentes no nosso dia a dia: na culinária, vestimentas, na estética, vocabulário, na arte, no esporte etc", explica o coordenador da CUT-Bauru.
Em razão do tema, a organização informa que serão realizados cultos de religiões afro-brasileiras no Vitória Régia nesse domingo. Será oferecida também Oficina Cultural de Tambores e Ritmos Africanos. Além disso, o público poderá participar de Oficina de Penteado e Estilo Afro.
Ambulantes criticam a restrição de espaço
Em razão da festa do Dia do Trabalho de hoje, no Parque Vitória Régia, vendedores ambulantes tentaram, na manhã de ontem, montar seus trailers no local. No entanto, foram impedidos de se instalarem na área central do evento por membros da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que organiza o evento e conta com pessoas credenciadas para a venda de comidas e bebidas.
Segundo a ambulante Maria Inês Caneco, os vendedores estiveram no setor de fiscalização da Prefeitura Municipal e conseguiram a liberação para trabalhar no Vitória Régia durante a festa de hoje. "Estava tudo certo, mas quando chegamos lá, o pessoal da CUT falou que teríamos que ficar a 300 metros da festa, o que é muito ruim para nós", alega.
Inês afirma que a situação foi resolvida por um acordo com a CUT para que os ambulantes repassem à entidade 30% do que venderem na festa. "É um valor muito grande, quase inviável, mas tivemos que aceitar a proposta senão seríamos ainda mais prejudicados", afirma.
João Carlos de Andrade, assessor da CUT, nega a cobrança de parte das vendas dos ambulantes. Ele explica que foi acordado apenas que esses trabalhadores comprariam a cerveja de uma empresa distribuidora indicada pela CUT, que estará no local durante a festa. "Parte do que for arrecadado será destinado aos custeios do evento e a outra parte, doada para o Grupo 100% Arte, do Jardim Ouro Verde", afirma.
Andrade argumenta também que os ambulantes que foram instalados em espaços pouco privilegiados não procuraram a CUT para se cadastrarem. "Isso foi divulgado previamente nos veículos de comunicação. Quem se antecipou ficou com lugares melhores", ressalta
Secretário municipal do Planejamento em Bauru, Rodrigo Said confirma que há uma delimitação de área para ambulantes que não estão ligados à organização da festa. "Quando o evento é da Prefeitura, todos podem trabalhar no mesmo espaço. Nesse caso, a CUT está bancando o evento e não é justo que qualquer pessoa chegue lá e ganhe em cima disso. As vendas dos produtos vão ajudar nos custeios da organização", explica.
Quanto à suposta cobrança de 30% das vendas dos ambulantes pela CUT, Said afirma desconhecer a informação e alega que a prática é ilegal. "Esse tipo de cobrança não pode ser realizado em um espaço público", diz o secretário.