10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Dos 25 aos 45: como mudar de carreira?

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Quem nunca ouviu aquelas histórias de profissionais que mudaram de carreira e hoje são mais felizes? Seja de forma mais suave ou até mesmo com mudanças radicais, a tentação de arriscar sempre aparece vez ou outra naqueles momentos de insatisfação no emprego. Entretanto, o limiar entre se complicar e alcançar o objetivo galgado está na preparação e em analisar a respectiva fase da vida. Assim, é necessário sempre ter noção dos riscos e seguir alguns passos que podem minimizá-los, sejam em jovens de 25 anos ou até em pessoas experientes com mais de 45.

Responsabilidades

Especialistas apontam que a fase mais fácil de se mudar de carreira é exatamente aos 25 anos. Por motivos óbvios, nessa faixa etária os jovens não têm tantas responsabilidades, como família ou até mesmo com o que já foi construído profissionalmente.

Outro motivo que frequentemente aparece em quem faz essa escolha nessa fase é a percepção de que o curso escolhido não foi o ideal. Com o recente diploma na parede, muitos jovens percebem que, na prática, a área de trabalho "foge" da teoria acadêmica. Uma dica para minimizar isso é investir em estágios e trainees durante a graduação.

Caso perceba que realmente essa não é a sua área, é o melhor momento de arriscar. Entretanto, é necessário se preparar. Estudar bastante e conversar com pessoas mais experientes do ramo em que pretende ingressar são as melhores opções.

Passada essa fase, outros fatores entram em jogo. Aos 35 anos, entretanto, é o período no qual surge o maior número das crises de identidade profissional.

Essas crises surgem exatamente pelo perfil. Geralmente já com família constituída, o profissional passa a dar valor maior a uma série de fatores que antes tinham menor relevância. É nessa fase que o profissional começa analisar se o cargo assumido é o ideal, o salário e, principalmente, a necessidade de equilibrar agenda profissional e pessoal.

Caso a pessoa verifique insatisfação nesses itens e realmente perceba que a única saída é uma mudança, o ideal é procurar alguém experiente e de confiança para auxiliar na decisão.

Nessa fase, uma boa opção é buscar a mudança dentro da própria empresa. Já está instalado, é mais fácil alçar voo em meio ao local já conhecido. Assim, uma alternativa é tentar mudar a função exercida.

Tanto para essa alteração interna quanto outra mais radical na própria carreira, é necessário ter um bom plano financeiro. Precisa-se ter patrimônio para resistir à fase de transição e até mesmo para casos em que enxergue como melhor solução voltar ao ramo anteriormente exercido.


Aos 45

Em uma metáfora futebolística, dizem que os fatos ocorridos na última hora permitida aconteceram aos "45 minutos do segundo tempo". Muita gente pode pensar que mudar aos 45 anos é exatamente isso e, por isso, não arriscam. Entretanto, com cautela, a comparação não é verdadeira.

Realmente, mudanças nessa fase são muito mais arriscadas, porém, podem ser bem sucedidas. Para isso, é necessário exatamente conhecer os riscos e aprender a trabalhar com eles.

O mais correto é executar um planejamento mínimo um ano antes de fazer a mudança. Mudança essa que deve vir alicerçada na prudência, uma vez que erros podem ser irreparáveis. É necessário evitar alterações radicais e pensar somente na questão financeira. Aos 45 anos, o profissional recebe mais pela experiência adquirida do que propriamente pelo que faz.

Outro ponto característico que deve ser evitado desse grupo é a iniciativa tomada pela necessidade. A maioria toma a decisão de buscar o sonho após ser demitido. Especialistas evidenciam que isso acaba com o planejamento e é um grande erro.

Para empresários nessa fase, uma opção boa é estudar e entrar na área acadêmica. Cada vez mais são valorizados na academia aqueles que carregam uma bagagem do mercado de trabalho. Seguidos esses conselhos, o apito final da partida pode significar uma mudança bem sucedida.


Regras gerais

Cada faixa etária carrega especificidades a serem analisadas na hora em que se decide mudar de carreira. Entretanto, alguns pontos gerais podem ser aplicados a todas as fases.

O primeiro é nunca agir no impulso. Para tudo é preciso planejamento. É nessa hora que as pessoas acabam conhecendo melhor suas habilidades.

O planejamento não é somente interno. É preciso verificar o mercado e se os custos envolvidos são compatíveis com o que o profissional dispõe.

Um erro comum é achar que os contatos adquiridos na carreira anterior serão todos úteis. Um novo ramo remete nova rede de contatos e isso deve começar a ser cultivado o quanto antes.

Por fim, é essencial pensar se a nova carreira vai em convergência com a proposta de vida desejada. Isso é fundamental para que a escolha não se torne outra decepção e que se atinja a satisfação profissional e pessoal.