09 de julho de 2026
Internacional

Em Trípoli, partidários de Gaddafi atacam embaixadas e sede da ONU


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Tripoli - Partidários do ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, atacaram ontem a sede da ONU (Organização das Nações Unidas) e as embaixadas do Reino Unido e da Itália na capital, Trípoli.

Os ataques vêm um dia após o governo líbio acusar a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) de ter matado o filho mais novo e três dos netos de Gaddafi em um bombardeio na capital. A Otan não confirma as mortes e nega que tenha indivíduos como alvo.

ONU sai da capital

A ONU anunciou que está retirando todos os seus funcionários de Trípoli, depois que sua sede foi atacada por uma multidão furiosa. "Os ataques contra os edifícios da nossa embaixada em Trípoli não enfraquecerão a determinação da Itália em continuar a própria ação, junto com outros aliados, na defesa da população civil líbia em cumprimento da resolução 1973 das Nações Unidas", disse a Chancelaria, em referência à resolução que estabeleceu intervenção militar internacional para a proteção dos civis líbios.

A Chancelaria da Itália confirmou que a Embaixada Italiana em Trípoli foi atingida por apoiadores de Gaddafi. O governo italiano não deu mais detalhes, mas testemunhas dizem ter visto fumaça no prédio. "Eu estou do outro lado da rua e posso ver fumaça saindo da embaixada. Ela estava em chamas", disse uma testemunha, por telefone. "Não há mais ninguém lá agora, apenas um carro de segurança para impedir que outros se aproximem".

Segundo a imprensa, a embaixada italiana e a residência do embaixador foram saqueadas.

A representação da Itália na Líbia foi fechada em março após o início do conflito. A Itália, antiga potência colonial na Líbia e que já foi o maior sócio comercial deste país produtor de petróleo, foi objeto de duras ameaças no sábado por parte de Gaddafi, que prometeu uma guerra contra a península.

Há relatos ainda de que a Embaixada de Londres em Trípoli foi atacada nas últimas horas.

OTAN lamenta

A Otan divulgou na noite de anteontem uma nota a respeito do ataque que vitimou o filho e três netos do ditador líbio Muammar Gaddafi. Charles Bouchard, comandante das operações da Otan na Líbia, declarou que todos seus alvos da Otan são "de natureza militar e claramente ligados ao regime de Gaddafi" e frisou "nós não visamos alvos individuais".

No entanto, a nota não explicou o porquê de um ataque em uma área residencial, onde estavam Gaddafi e seu filho.

"Eu estou ciente de relatos feitos pela mídia, e ainda não confirmados, de que alguns dos membros da família Gaddafi podem ter sido mortos", disse Bouchard. "Nós lamentamos qualquer morte, especialmente a de civis inocentes que são prejudicados por esse conflito".
A nota ainda argumenta que a Otan apenas cumpre a decisão da ONU de parar os ataques das tropas de Gaddafi contra a população com "precisão e cuidado", referindo-se à resolução do Conselho de Segurança da ONU que pede um fim imediato dos ataques autorizando todas as medidas necessárias para proteger os civis líbios.
Outro ataque
Em outra ação, a Sociedade Líbia da Síndrome de Down também foi atingida pelos ataques da Otan na madrugada de ontem.
Não ficou claro qual foi o alvo do ataque, embora as autoridades líbias afirmem que era o próprio ditador Muammar Gaddafi, que fazia um pronunciamento ao vivo à TV no momento.

"Eles talvez quisessem atingir a televisão. Este prédio não é militar, não governamental", disse Mohammed al Mahdi, chefe do conselho sociedades civis, que licencia e fiscaliza os grupos civis na Líbia.
O míssil destruiu completamente um escritório adjacente no complexo que abriga a comissão do governo para crianças.
A força da explosão arrancou as janelas e portas da escola financiada por pais para crianças com síndrome de Down, e os funcionários disseram que ela danificou um orfanato no andar de cima.
O ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, anunciou Ontem a expulsão do embaixador líbio em Londres, Omar Jelban, a quem declarou "persona non grata" em retaliação ao ataque.
Hague afirmou que a expulsão segue o artigo 9 da Convenção de Genebra sobre relações diplomáticas e disse que Jelban tem 24 horas para deixar o país.
Londres retirou seu embaixador de Trípoli no início do conflito e não tinha representante na capital líbia. Mas em Benghazi, reduto dos rebeldes, há uma equipe diplomática britânica.