Após quase três horas de paralisação, a sessão da Câmara terminou vazia pela primeira vez na história do parlamento bauruense, sem fala de vereadores nem votação de projetos. A motivação do fato constrangedor foi a crise institucional escancarada na tarde de ontem pela divisão entre base situacionista e oposição no Legislativo, pela falta de apoio de ambas à Mesa Diretora e pela rejeição ao presidente Roberval Sakai (PP).
Isso porque, com a renúncia do vereador José Segalla (DEM) ao cargo de segundo secretário da Câmara (acordada desde que assumiu), nenhum outro parlamentar se propôs ocupar o posto, o que, segundo o Regimento Interno, impede a continuidade da sessão, que foi suspensa às 14h43, retomada às 17h15 e encerrada minutos depois pela ausência de solução para o impasse.
Sakai chegou à presidência do Legislativo porque nem oposição nem situação contavam com maioria necessária para eleger um de seus membros. Dessa forma, os vereadores contrários à administração Rodrigo Agostinho escolheram o pepista, proporcionando um excelente passo para o projeto político pessoal de Sakai e impedindo a eleição de um situacionista para o comando da Câmara com a escolha de um parlamenter que, segundo vereadores, sempre transitou entre os dois polos. Na ocasião, Renato Purini (PMDB) era o principal nome indicado, mas sofria rejeição dentro da própria e fragilizada base. A mesma situação já havia conduzido o pastor Luiz Carlos Barbosa à presidência no biênio 2008/2009. Dessa vez, porém, o impasse tornou-se insustentável devido ao descontentamento da oposição que elegeu Sakai com as tendências governistas adotadas por ele, bem como pelo ?troco? dado por situacionistas em razão da ?traição? ao governo na ocasião da eleição da mesa diretora.
Nesse cenário, o presidente encontra-se isolado politicamente, sem o apoio de nenhum dos lados e acusado, inclusive por vereadores oposicionistas que o elegeram, por falta de representatividade e consistência política para ocupar o cargo mais importante do Legislativo Municipal.