09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Roberto Requião - guardião da imoralidade


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Na última semana fomos surpreendidos com o proceder de um senador da República, que com ares de dono da verdade, guardião da moralidade, se sentiu ofendido com a pergunta de um repórter, que lhe perguntou se ele abriria mão de receber sua aposentadoria como governador do Estado do Paraná no valor de R$ 24.000,00 para a economia de seu Estado. Este senador destemperado de nossa falida República, achando-se o dono da verdade, tomou o gravador da mão do repórter e o devolveu no dia seguinte sem a entrevista. Posteriormente, percebendo a besteira que fez, colocou na internet a entrevista na sua íntegra, na sua totalidade, e acusou o repórter de ter feito uma pergunta ofensiva, "bullymista", e por ter se sentido acuado tomou a atitude de raptar o gravador do repórter e censurar sua própria entrevista.

Onde nós estamos? É a marcha a ré da história? Será que vai ter panelaço? É a volta da política pela força? E o campo das ideias, do debate, do melhor para o coletivo? Aliás, será que o senador sabe o significado da palavra coletivo? Senador, nosso país está passando por corte de verbas para evitar uma crise financeira, política e administrativa. A pergunta do repórter visava simplesmente uma resposta positiva de sua parte, um ato singular seu para um esforço coletivo que já está acontecendo. Eu até compreendo que o senhor não tenha capacidade de perceber uma coisa tão banal assim, afinal, o senhor ganha e muito bem para resolver problemas nacionais, não é verdade? Então para que se preocupar com coisas mundanas. Afinal, são só R$ 24.000,00 para um Estado rico como o Paraná, assim como o seu salário e suas despesas no Senado também é pouca coisa diante da riqueza de impostos que nosso país gera, para que o senhor possa se ocupar dos problemas nacionais.

O seu dinheiro vem limpinho na sua mão para o senhor guardá-lo onde quiser, em meias, cuecas, sapatos, bolso de paletó, maletas etc. Já o nosso, o meu, o do repórter que lhe entrevistou e teve seu gravador seqüestrado, e de outros "Zés Roelas" como nós, tem de ser suado, espremido, contado centavo a centavo para comprar o pão do dia a dia, porque de nosso salário o seu já vai descontado, assim como no pão, na carne, na cueca, no sapato, camisa, calça, camiseta, feijão, arroz, energia elétrica, passagem de avião, de ônibus, trem, metrô, ingresso de show, cinema, escola, consulta médica, pedágios, bermuda, combustível automotivo, sorvete, cachaça, cerveja, refrigerante, almoço em restaurante, lanche com a família no quiosque, até mesmo em um churrasquinho feito em casa o seu já está garantido, não é verdade?

Senador, o senhor destemperou, mas faça como outros senadores temperados, alho bem espremidinho, tomate, cebola, salsinha, um pouco de limão, pimenta a gosto, junte tudo em fogo brando por dois minutos, e após esfriar passe também e sua cara de pau e fique temperadinho e quietinho, como o mineiro que come quietinho e leva tudo numa boa. Afinal, mineiro é mineiro, ele é flagrado bêbado e com carta vencida, mas pede desculpas por não ter percebido a carta vencida no dia seguinte.

Da bebedeira não disse nada, afinal, ela já tinha passado. Tudo isso num país onde um analfabeto cobra R$ 200.000,00 para fazer um seminário. Certo era o maluco beleza que dizia: "Pare o mundo que eu quero descer."


Francisco Agabatan Lira - um otário pagador de impostos