Pela primeira vez na história do Brasil temos no comando da nação uma pessoa que, por ser mulher, vai entender onde é que está o verdadeiro problema, no que se refere à pobreza, à miséria. Não é no valor do salário e/ou na bolsa seja ela qual for que está o problema; é no que se pode conseguir comprar com o ordenado, salário, vencimento, pensão ou bolsa. A senhora sabe que, em última análise, quem sabe quanto se precisa para tocar uma casa, seja num barraco de favela ou em mansão de alta classe, é, na maioria das vezes, uma mulher; aquela que sabe o que vai pôr ou mandar pôr na mesa o que é preciso comprar, se dá para servir filé ou carne de pescoço ou até nenhuma carne.
E também se a criança precisa de sapato, agasalho, material escolar, remédio para a garganta, a gripe ou a tosse, se a roupa de cama está muito remendada e a de vestir também e precisa cortar uma despesa aqui neste mês para compensar no mês que vem, enfim, quem tem de se virar para viver dentro da verba que lhe é dada pelo patrão, pelo marido, pelo amante, pelo pensionista, pelo parente que ajuda, ou seja lá por quem for, ela tem de fazer dar para atender às necessidades e não é só no presente mês, mas também nos meses seguintes até que se possa pensar em algum aumento na quantia que lhe chega às mãos.
Então, sem entender de economia, nem de economês, dona Dilma, peço à senhora que se lembre de seu tempo de provedora de um lar e veja como é verdade que a pior coisa que pode acontecer para a economia do país como um todo é desestruturar a economia da dona de casa, com uma catastrófica inflação. Não importa quanto por cento a mais seja acrescentado ao salário mínimo, o que realmente importa é o que vai dar para comprar com ele, neste mês e nos próximos, para que se possa controlar os gastos e dar de comer e atender às necessidades básicas da família, sem sofrer a angústia, o desespero e a desgraça da inflação, essa sim maior inimiga do pobre e fabricante de miséria para todos.
Isolina Bresolin Vianna - ABLetras - cad. 12