09 de julho de 2026
Geral

Getúlio e outros eventos podem ter os estacionamentos liberados

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 8 min

Após mudanças efetuadas nas vias de maior fluxo em razão da crescente frota de veículos em Bauru, uma análise mais apurada torna obsoletas algumas medidas, como a proibição de estacionamento em áreas de grande concentração de pessoas em determinados horários, desde que isso não signifique perturbação ao sossego de moradores ou transtorno ao trânsito. Exemplo: o setor em que a avenida Getúlio Vargas concentra bares e restaurantes, ao longo e ao lado do terreno ocupado pelo Aeroclube, principalmente à noite.

A algazarra que vinha dos sons de carros estacionados foi o argumento para justificar a proibição de estacionar na pista sentido Polícia Federal-cabeceira do aeroporto. Porém, o problema estava em alguns quarteirões anteriores, que permaneceriam com a proibição. A mesma constatação vale para locais onde bauruenses e moradores da região se reúnem em atividades diversas, desde o lazer noturno a eventos diurnos, eventuais ou permanentes. A feira livre da rua Gustavo Maciel, aos domingos, é outro exemplo.

O assunto veio à tona a partir de observações de comerciantes, do vereador Marcelo Borges (PSDB) e da própria Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que finaliza um estudo para ampliar o número de vagas de estacionamento em toda a cidade. Por sinal, a negativa de estacionamento na avenida Getúlio Vargas das 23h às 5h da manhã faz migrar para ruas paralelas e transversais o barulho da movimentação de automóveis, facilita a ação de criminosos e aumenta a insegurança dos moradores.

O presidente da Emdurb, Nico Mondelli, trabalha para flexibilizar o estacionamento em vários pontos da cidade. Nico não vê empecilho do estacionamento noturno ser estendido do trecho da rua Odilon Braga, na altura da delegacia da Polícia Federal, até a rua Jorge Nasralla, na cabeceira do aeroporto. Ele argumenta que, neste trecho da avenida, há poucas moradias e muitas vagas em pontos bem iluminados, situação oposta à da rua Doutor Fuas de Mattos Sabino, usada, atualmente, pelos frequentadores de bares e restaurantes da Getúlio.

Para Nico, a liberação do estacionamento noturno na Getúlio é uma decisão que depende de consenso entre a comunidade. A limitação foi criada atendendo a reivindicação dos Conselhos de Segurança e a liberação depende de um novo entendimento das entidades representativas da comunidade. "Nada melhor do que chamar todo mundo para uma reunião. O que for decidido a gente irá fazer", define o presidente da Emdurb.

O vereador Marcelo Borges ressalta que moradores da rua Doutor Fuas de Mattos Sabino, paralela à avenida, são favoráveis à permissão de estacionar na Getúlio, incomodados com o barulho do trânsito em suas portas. Borges acrescenta que quem para o carro na Fuas corre risco. "Teve gente que foi até estuprada ali. Não tem sentido onde ficam os restaurantes e bares a população ser multada", avalia.

O vereador entende que, há dez anos, quando a medida restritiva foi adotada, a realidade dos atuais quarteirões gastronômicos da Getúlio Vargas era inversa à situação imposta pelo desenvolvimento da zona sul. Segundo ele, na atualidade está totalmente ultrapassado impedir consumidores de estacionar na avenida.

O vereador cita o constrangimento de fregueses entretidos no bate-papo e, de repente, surpreendidos com o alerta dos funcionários do comércio de que seu veículo está sendo multado. "O cidadão sai correndo para pegar o carro que está sendo guinchado."

____________________

Moradores amedrontados


A proibição de estacionar na Getúlio Vargas fez migrar para a rua Doutor Fuas de Mattos Sabino todo o movimento de veículos, o barulho dos frequentadores do comércio e, por consequência, a criminalidade. A moradora Mirela Shella se sente uma refém em sua residência na quadra 7, para onde mudou há três anos. Nesta semana irá implantar sistema de monitoramento por câmeras em sua casa.

No último dia 10, ela ficou aterrorizada quando leu a notícia no JC das duas adolescentes estupradas depois de serem abordadas na quadra 9 da Fuas de Mattos, a duas quadras de sua residência. Enquanto as meninas e seus namorados eram vítimas de sequestro-relâmpago, ela havia deixado a filha, uma adolescente de 15 anos, em um bufê na Getúlio Vargas, a uma quadra de sua casa. "Não deixo ela vir mais sozinha. Não consigo dormir depois que ela sai. A coisa aqui está feia", afirma a mãe aflita.

Mirela convive com assaltos, furtos e o barulho dos carros estacionados na Fuas de Mattos. Para piorar, ao lado de sua residência há um pequeno estacionamento de uma escola transformado em "motel", com casais que param os carros e aproveitam a iluminação precária para namorar sem o menor constrangimento.

A moradora comenta que a rua era pacata, porém, agora está muito visada. Durante o dia, os estudantes de escolas nas imediações são frequentemente vítimas de roubo. Mirela já pensa em adquirir um terreno em um condomínio fechado, mesmo sabendo que não há garantia total de segurança.

____________________

Frota x recuperação de vagas


A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) finaliza um estudo para recuperar vagas de estacionamento em toda a cidade. A ideia é atender a crescente demanda por estacionamento gerada pelo crescimento da frota de veículos.

A proposta é atualizar a sinalização flexibilizando o horário. O presidente da Emdurb, Nico Mondelli, cita que vagas de farmácia irão mudar pela substituição do privativo por parada rápida. Para situações de carga e descarga, a previsão é de liberar aos sábados e domingos e manter de segunda a sexta. Atualmente, a proibição é durante todos os dias. "A gente vai fazer tudo que puder para flexibilizar e dar mais opções de estacionamento em determinados horários."

A ideia é usar a vaga com bom senso, mantendo o fluxo de trânsito sem alterar o estacionamento nas vias principais, como Rodrigues Alves.

____________________

Comerciantes da avenida desenvolvem
medidas de segurança para seus clientes


Os comerciantes do segmento gastronômico da Getúlio Vargas já criaram um sistema de alarme informal para evitar que seus clientes tenham os veículos guinchados. Os funcionários ficam atentos à movimentação da polícia para alertar os fregueses.

O empresário Paulo Godói reclama que já teve clientes com veículos guinchados pela polícia pela proibição de estacionamento na pista sentido Polícia Federal-Praça Portugal. O freguês teve que ir embora de táxi. Godói abriu há quatro anos um point muito frequentado na quadra 10 da Getúlio. Ele comenta que, na semana passada, se reuniu com alguns comerciantes da avenida para discutir medidas que possam melhorar as condições de atendimento para a freguesia. Godói adianta que estão dispostos a colaborar com a Polícia Militar no que for possível.

O comerciante repudia a determinação que proíbe o estacionamento ao longo da Getúlio. Ele avalia que o estupro ocorrido com as adolescentes, há cerca de três semanas não ocorreria se o veículo em que elas estavam estivesse estacionado na Getúlio ao invés de parado na Fuas de Mattos Sabino. Ele diz, ainda, que recebe inúmeras reclamações de clientes vítimas de arrombamento de seus automóveis estacionados na rua paralela.

____________________

Feira de domingo pede flexibilidade na 1º de Agosto


Os frequentadores assíduos da feira de domingo na rua Gustavo Maciel já sabem que, se forem de carro às compras, terão que andar bastante, pagar estacionamento particular ou se arriscar a ter dor de cabeça ao parar na rua. O supervisor de manutenção Sérgio Reinaldo Manzini, 40 anos, e o técnico em telecomunicações Renato Alexandre, 48 anos, não se arriscam em estacionar na 1º de Agosto, onde só há permissão de estacionamento do lado esquerdo. Para eles, o simples ato de ir à feira de domingo não pode ser estragado com uma multa ou com o carro guinchado por estacionar no lugar proibido, mesmo que não atrapalhe o fluxo de trânsito.

O vereador Marcelo Borges propõe para discussão: "Por que não liberar os dois lados da 1º de Agosto para estacionar apenas no horário da feira? Não atrapalharia o trânsito porque no domingo o ritmo das pessoas e da cidade é outro, não há pressa nem correria", pondera.

Alexandre concorda e diz que ir à feira é um momento de lazer, e as compras exigem tempo. Tanto Manzini quanto Alexandre gostam de circular com tranquilidade em suas bancas prediletas, olhar os produtos, comparar os preços e, então, definir a melhor aquisição. Ambos são adeptos do estacionamento pago para evitar transtornos. Mas são amplamente favoráveis a que se tenha estacionamento dos dois lados da 1º de Agosto. Manzini sugere que a parada seja liberada e que haja pessoal para cuidar dos veículos. Enquanto isso, o consumidor paga para estacionar e diz que, aos domingos, é mais caro - em média R$ 2,00 a hora. "Prefiro colocar no estacionamento por causa da segurança", diz Manzini.

O presidente da Associação dos Feirantes de Bauru (AFB), Moisés Bastos, é favorável ao estacionamento nos dois lados da 1º de Agosto aos domingos. "Aquela aventura gostosa que é a ?feiraterapia? vira um transtorno. Pensamos fazer um abaixo-assinado para facilitar o estacionamento aos domingos", explica.

Ele cita o caos que ocorre aos domingos que coincidem com a abertura do comércio. "Se conseguisse a lei de estacionar dos dois lados, a Associação, os consumidores e feirantes agradeceriam."

A feira ocupa da quadra 4 à 7 da rua Gustavo Maciel, na quadra 6 da Ezequiel Ramos e na quadra 2 da Júlio Prestes, das 6h às 12h30 aos domingos. O mesmo valeria para outras feiras livres, dependendo da avaliação da Emdurb em cada localidade.


Emdurb concorda


O presidente da Emdurb, Nico Mondelli, entende que das 7h ao meio-dia aos domingos é viável flexibilizar o estacionamento nas imediações da feira. O vereador Marcelo Borges manifesta sua contrariedade pela proibição de parada na 1º de Agosto. Ele argumenta que não há tráfego aos domingos. E lembra que a feira é um ponto de encontro para as pessoas, além de local de comércio. "A vida inteira foi liberado. De uns dois anos para cá, proibiram de parar."