09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de Pescador: Alicate - O Curió do Zé


| Tempo de leitura: 2 min

Em uma gostosa manhã de domingo, dia limpo e muito quente. Partiu o Zé Birruguinha, ele e mais três companheiros, para pescar lambari no rio Batalhinha, bem próximo à aldeia dos índios de Araribá.

Na passagem pela cidade de Avaí, compraram carne para um churrasquinho, pão, cerveja e... para não fugir a rotina, compraram também um litro de timbuca para fazer o batismo do rio quando lá chegassem, como também saborearem alguns goles da "marvada".

Contrariando os demais companheiros, o Zé se achou com o direito de levar para a beira do rio, talvez para um treino, seu curió de estimação, de nome "Alicate". Nome este por a ave possuir suas perninhas bem tortinhas.

- Nunca se deve misturar peixe com passarinho ? alguém bem baixinho resmungou.

Ao chegarem na beira do rio, após o batismo prometido, cada qual tomou seu destino a procura de pontos adequados para a prática da pesca. Apenas o Zé não podia se alongar muito dali, uma vez que tinha que cuidar do seu pássaro, o qual havia sido colocado sobre um tôco de uma velha cerca ali existente. Tão alegre que ficou, o bichinho cantava sem parar.

A pescaria estava a todo vapor e lambari não faltava para ninguém. Em dado momento, num descuido do Zé, seu pássaro de estimação foi atacado por um enorme gavião carcará.

Ao ver seu xodó sendo atropelado, largou tudo e gritando correu em direção a gaiola para salvá-lo das garras do predador. Assustado com os gritos do Birruguinha, o gavião alçou vôo, não se sabe como, com gaiola enganchada em suas unhas com curió e tudo, atingindo rapidamente a uma altura de mais ou menos uns trinta metros, momento em que a gaiola se desprendeu das unhas do agressor, se projetando sobre um taboal as margens do rio, logo ali em sua frente.

Muito trabalho teve o Zé para resgatar seu curió, pois o pântano onde ele caiu era por demais perigoso. Quando tudo já estava terminado, durante os comentários por parte dos pirangueiros sobre o assunto, alguém notou que o pássaro estava com seu biquinho todo banhado em sangue. Será que ele está machucado? Alguém perguntou.

Foi quando o Zé, para valorizar ainda mais o seu pássaro de estimação, não deixou por menos e logo foi explicando.

- Esse curió é valente demais. Com toda certeza ele, para se defender do seu agressor, com toda sua força travou seu bico nos dedos do carcará, ferindo-o seriamente, motivo pelo qual se sujou todo de sangue.

Foi com tanta segurança que o Birruguinha contou esta façanha que todos que ouviram cegamente nele acreditaram.

"Estórias do Zé Birruguinha"