08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

MEGAOPERAÇÃO CONTRA A DENGUE


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A questão do lixo ainda é um desafio no combate à dengue. Apesar do sistema de coleta de lixo cobrir quase 100% da área urbanizada, Bauru sofre com o acúmulo de lixo em diversos locais, principalmente em terrenos baldios, favorecendo o surgimento de vários criadouros.

A população despeja seu lixo nos terrenos acreditando livrar-se de um problema, quando na verdade transforma-o em problema para toda a coletividade. Segundo informação colhida no site da Emdurb em dias alternados os caminhões recolhem o lixo. Em áreas de maior fluxo, onde há atividade comercial, isso acontece diariamente. Sendo assim não há motivo para que seja jogado lixo em terrenos baldios, ainda assim, sabemos que 80% dos focos estão nas residências e não nos terrenos.

Quem viaja com freqüência e conhece diversas cidades sabe que em comparação a outras do mesmo porte, Bauru está entre as mais sujas. O mais triste é saber que cidades mais limpas que Bauru possui investimentos inferiores no setor de limpeza urbana. No que se refere à consciência e educação coletiva o bauruense deixa a desejar. Falta educação ambiental das pessoas com relação ao destino do lixo. A sujeira não está ligada à pobreza. São comuns carrões parados em áreas periféricas descartando lixo. Precisamos despertar para a realidade e entendermos que cada morador deve tratar a rua como extensão de sua casa. Nenhuma ação do poder público alcançará êxito sem a participação ativa daqueles que estão diretamente envolvidos, a saber, a própria população. A questão é séria e a população tem que ter consciência que faz parte disso.

No caso específico da dengue, a urbanização é favorável ao mosquito que se adaptou perfeitamente ao ambiente, todos os setores da cidade possuem o Aedes aegypti, a responsabilidade quanto à epidemia da doença deve ser compartilhada. Só o poder público não conseguirá resolver o problema.

A mobilização social com mutirões de serviços e limpeza, agentes e profissionais de saúde atuando e reproduzindo conhecimentos, lideranças comunitárias dando a sua contribuição e empresas convocando seus funcionários para eliminarem focos da doença no ambiente de trabalho e também em casa. São ações importantes que deveriam fazer parte da rotina da população de Bauru.

Outra ação importante seria se alguns da Casa de Leis deixassem a política do "quanto pior melhor" e efetivamente participasse das soluções de problemas como esse. Quem sabe elaborando leis e apresentando sugestões que contribuísse no combate. Qual lei está sendo discutida na câmara que colabore efetivamente no combate a dengue? Quais leis estão sendo discutidas que auxiliem a prefeitura na identificação e punição de proprietários de imóveis irregulares, como por exemplo, uma lei que obrigue os cartórios de imóveis a comunicar a prefeitura toda transferência de propriedade que for registrada?

Se a Câmara de Vereadores fizer o seu papel, independentemente da postura assumida por seus vereadores se "situação ou oposição" visando dar prosseguimento às atividades de interesse coletivo, visitando comunidades, indo até o povo, mas o que se vê é muita falácia motivada pelo "ouvi falar ou fiquei sabendo", o vereador tem que conhecer a realidade do povo. Sabemos que alguns preferem defender aquela máxima: "Farinha pouca, meu pirão primeiro".

Como não podemos generalizar, fica o meu respeito e meus sinceros parabéns aos vereadores que efetivamente participam do desenvolvimento da cidade, não legislam em causa própria e estão realmente voltados para discussão de políticas públicas. Parabéns também aos coordenadores, agentes e supervisores que trabalham incansavelmente com dedicação e seriedade combatendo essa terrível doença. Quanto a mega operação de combate à dengue, acredito que seu êxito depende de muito mais de educação ambiental, consciência e respeito a coletividade por parte de cada cidadão que qualquer ação do poder público.


Romildo Alves da Silva