Na próxima segunda-feira, pode sair o capítulo final do caso do mecânico Jorge Luiz Lourenço, o Jorginho, morto com um tiro na cabeça durante perseguição da Polícia Militar (PM) em abril de 2007, no Núcleo Mary Dota, em Bauru. Na segunda, serão julgadas as apelações tanto da assistência de acusação quanto da defesa dos ex-policiais envolvidos.
O julgamento ocorre em São Paulo às 13h30. A apelação da assistência de acusação - que representa a família de Jorginho - pede que os três ex-policiais - Lincoln César Cares, Renato Valderramas De Favari e Ricardo Antônio do Amaral ? sejam levados a júri popular.
No final de maio, o juiz de direito da 1.ª Vara Criminal de Bauru, Benedito Antônio Okuno, decidiu pela desclassificação do crime de homicídio doloso (com a intenção de matar).
O advogado Marcos Aurélio Silvestre explica que a apelação para tentar reverter essa decisão é justamente pela inconformidade da família do jovem. "O pai e a mãe do Jorginho não se conformam que sejam disparados 10 tiros e que não haja intenção de matar. Com essa quantidade de disparos, não se pode qualificar o homicídio como culposo, ou seja, quando não há intenção de matar", explica.
A defesa dos policiais, feita pela advogada Fernanda Cabello da Silva Magalhães, também recorreu. Com o crime já desqualificado, ela pediu a absolvição dos três ex-policiais, algo que foi recomendado pelo Ministério Público (MP) em setembro do ano passado.
"Queremos a absolvição dos três. Foi o que recomendou o promotor e é isso que queremos. Esperamos que eles sejam absolvidos nesse julgamento de segunda-feira", explica.
Jorginho foi morto com um tiro na cabeça, que transfixou seu capacete, após desrespeitar a sinalização de parada da PM. Ele seguiu por várias vias, desrespeitando sinalizações e dois bloqueios policiais.
Durante a perseguição, vários tiros foram disparados, sendo um deles fatal. A bala que o atingiu não foi achada, o que impediu a comparação com as armas dos três então policiais envolvidos na ação.