Lisboa - A União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) exigiram ontem de Portugal "grandes esforços" para a adoção de reformas nacionais em contrapartida a um resgate financeiro que deve chegar a 78 bilhões de euros.
O dinheiro será divido em 52 bilhões de euros da UE e outros 26 bilhões do FMI.
O comissário europeu de Assuntos Econômicos, Olli Rehn, e o diretor geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, afirmam em um comunicado conjunto divulgado em Bruxelas que as negociações com o governo lusitano permitiram alcançar um plano "equilibrado socialmente", com a intenção de "proteger os grupos mais vulneráveis".
"No entanto, reconhecemos que o programa exigirá grandes esforços por parte do povo português", acrescenta o comunicado.
As condições impostas incluem reformas em quase todo o sistema econômico e social do país, tendo como lemas privatizar serviços, cortar gastos e liberalizar o emprego.
O documento de 34 páginas pactuado com as autoridades portuguesas analisa de forma detalhada as ações que devem permitir a Portugal reduzir seu deficit público para um terço do atual em 2013 - até 3% do Produto Interno Bruto (PIB) - e adotar um pacote de reformas estruturais que equilibrem o país com o resto dos países da UE.
Desde educação até saúde, passando pelo âmbito da Justiça, administração pública, telecomunicações, energia e sistema de transportes. Todos os setores foram submetidos ao diagnóstico da equipe conjunta da UE e do FMI enviada a Lisboa há três semanas.
Entre as medidas, destacam-se a redução dos gastos com pensões acima de 1.500 e seu congelamento -exceto as mínimas- em 2012 e 2013, a redução nas transferências a autoridades locais e regionais, bem como o aumento das receitas fiscais por meio de mudanças na estrutura do imposto sobre valor agregado (IVA).
O resgate financeiro pretende abranger, além disso, 12 bilhões de euros destinados a enfrentar "eventuais necessidades de capitalização" dos bancos portugueses.
Em relação ao setor de saúde, UE e FMI pedem a Portugal diminuir os custos dos hospitais em 200 milhões de euros, estimular os médicos do sistema público e do privado a prescreverem genéricos e diminuírem as visitas "desnecessárias" aos pacientes mediante o reforço dos serviços primários.
Na educação, os requisitos incluem a redução em 195 milhões de euros dos custos por meio da racionalização da rede de escolas públicas.
O mercado de trabalho também deve ser alvo de uma profunda reforma estrutural para "facilitar a passagem dos trabalhadores por diferentes ocupações, empresas e setores".