Damasco - Em mais um dia de sangrenta repressão aos protestos na Síria pela saída do ditador Bashar Assad, forças de segurança voltaram a atirar em manifestantes, deixando ao menos 27 mortos em várias cidades do país.
O regime de Assad mantém a estratégia de esmagar a oposição nas ruas apesar da pressão internacional, que cresceu ontem com a decisão da União Europeia (UE) de impor sanções a altas autoridades do governo sírio.
A medida visa congelar bens e impedir a entrada em território da UE de 14 altos funcionários do governo.
Apesar da pressão de alguns países, Assad não está contemplado na medida, que entrará em vigor na segunda-feira, ao menos que algum dos 27 países-membros do bloco se oponha à sua implementação.
A UE também anunciou ontem que cogita suspender todos os acordos de ajuda econômica e financeira ao regime de Assad.
Os Estados Unidos já haviam adotado sanções semelhante na semana passada.
A ONU abriu inquérito, com apoio aberto do governo brasileiro, para investigar a repressão na Síria.
Protestos de opositores inspirados nas revoltas que derrubaram ditadores na Tunísia e no Egito no início do ano, já deixaram ao menos 580 mortos e centenas de feridos, segundo contagem feita por ONGs de direitos humanos síria e internacionais.
Diplomatas dizem que cerca de 7.000 pessoas foram presas, muitas delas de forma arbitrária, desde o início dos protestos em março.
As manifestações de ontem haviam sido convocadas pela oposição sob o título de "sexta-feira do desafio" e começaram após as orações do meio dia -sexta é dia sagrado dos muçulmanos.
Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas, contrariando a advertência lançada pelo governo, que recentemente aboliu o regime de exceção mas disse que só permitiria manifestações autorizadas pela polícia.