10 de julho de 2026
Geral

Jovem de 23 anos relata que, apesar da ajuda, não consegue deixar o vício

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

Quem não sabe para onde olhar, tampouco se tem algum futuro, é M., de 23 anos. Usuário de crack há três anos, o rapaz, que entrou no mundo do vício por curiosidade e acabou prisioneiro dele, diz que não consegue se livrar da fissura que sente ao tentar ficar longe da droga. "Minha família já fez o máximo por mim. Mas sou eu que tenho que querer", assume. "Até tenho ajuda, mas a abstinência não dá limite. Vai dando calafrio e tenho que sair atrás", acrescenta.

Após passar por várias internações, ele diz se render ao submundo da cracolândia e testemunha o caráter heterogêneo de quem frequenta o Centro para se drogar. "É aqui onde se concentra a maioria, é onde corre", especifica. "Até senhores idosos agora frequentam o mundo da perversidade. Eles procuram meninas para fazer programas, homens de 50, 60 anos. Usam crack junto com elas", aponta o rapaz, admitindo alguns pequenos furtos.

M. tem ensino médio completo e diploma de diversos cursos profissionalizantes, incluindo webdesigner. Após trabalhar com carteira assinada, ele conta como faz para sustentar o vício, morando na rua. "Não gosto de furtar, prefiro mandear (olhar carro, na gíria). Assim posso comer e manter o vício", afirma o jovem, que esteve prestes a se tornar pai recentemente. "Era para eu ter um filho, mas há dois meses ela (sua companheira) perdeu. Ela também é usuária. O crack é uma droga maldita, vicia mesmo", admite.

A convivência entre viciados e gente livre da droga e que até tenta ajudar os dependentes se completa, comentam moradores, com um grupo de evangélicos que, semanalmente, vai até o viaduto da Treze de Maio e atraem alguns dos flagelados para cânticos religiosos. M. aprova a iniciativa. "Eu acho bom. É uma forma de distrair, cantando junto com eles".