Para minha mãe
Se hoje escrevo sobre esperança
Se faço poemas, canções e poesias
É porque achei escondido um dia
Um caderno rasgado, sem capa, sofrido
Há muito tempo... quando era criança.
Suas folhas contavam de uma travessia
Por uma estrada de pedras e espinhos
De uma mulher que partira vazia
Numa noite escura, por difícil caminho
O caderno inteiro chorava sozinho
E numa prece com fé pedia a Deus
Um longa oração pelo amado filhinho
Que o Senhor já levara num triste adeus
Enquanto suas páginas eu revirara
Aquelas palavras entravam em mim
Aquele caderno me inspirava!
E de velho e feio transformei-o assim:
De um poema de morte falando de lua
Extraí poesias de sol e de vida
E apesar da tristeza da escrita sua
Me perdi na beleza da rima obtida
E o trouxe comigo por todos os anos
Guardado, escondido em minha gaveta
Por mais duros que fossem os desenganos
Valia a pena ler: "Gentil Borboleta"...
Eu sei que parece ter sido "descuido"
Deixá-lo jogado naquela bolsa
O tempo passou e você o achou!
Então minha "Rosa"... agora me ouça:
Muito obrigada, mãezinha querida
Por não tê-lo jogado fora
Pois teu caderno tem me ensinado
A esperar pelo tempo, o dia e a hora
Ensinou-me que a morte faz parte da vida
Que com fé é possível ter o que desejamos
Que nossas lágrimas, apesar de sofridas,
Regam os jardins das pessoas que amamos
Ensinou-me mais que os muitos livros
Os segredos da alma, escrituras, profetas
Ensinou-me humildade e a fé que bendigo. Ensinou-me a amar, perdoar e ser poeta.
Simonne Di Piero