08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Mãe... Já vou!


| Tempo de leitura: 1 min

Ai que saudade que dá

Mamãe chamava para jantar

Brincando no meio da sala... gritava

Já vou!

Ai que saudade que dá

De manhãzinha, café na mesa

Para não atrasar na escola

Mamãe gritava, sonolento dizia...

Já vou!

Ai que saudade que dá

Na volta da escola

Depois de algumas travessuras

Não fazia o dever de casa

Preferia correr pelas ruas

Molhando o corpo com a água da chuva

Mas quando papai chegava

Ela nos perdoava, era hora de almoçar

Mamãe gritava, eu dizia...

Já vou!

Ai que saudade que dá

Do lanche de tardezinha

Mamãe preparava com carinho

O pão com mortadela

Uma tubaina num copinho

Tomava bem devagarinho, mesmo bem quentinha

Só pra não acabar

Depois, o banho tínhamos que tomar

Mamãe gritava, eu dizia...

Já vou!

Ai que saudade que dá

Já deitado em nossa cama

Fingindo estarmos dormindo

Mamãe vinha nos espiar

Mas com todo o cuidado, pra não nos acordar

Sua benção vinha nos dar

E sobre nós estendia o cobertor

Era esse o verdadeiro amor

Por acaso, se ouvia algum barulho

É hora de dormir

Mamãe logo gritava, eu dizia...

Já vou!

Ai que saudade que dá

Desse mimo sem medida

Dessas tardes bem vividas

Dessas lembranças que me fez vencedor

Que carrego por toda vida

Precisou o tempo passar e você ficar bem velhinha,

Para perceber que essa foi a grande riqueza que eu tinha

Mamãe, amiga, meu anjo da guarda

Muito obrigado, que Deus lhe abençõe

Acaso de mim precisar

É só gritar

Já vou...!

Elcio Aparecido de Oliveira