Ai que saudade que dá
Mamãe chamava para jantar
Brincando no meio da sala... gritava
Já vou!
Ai que saudade que dá
De manhãzinha, café na mesa
Para não atrasar na escola
Mamãe gritava, sonolento dizia...
Já vou!
Ai que saudade que dá
Na volta da escola
Depois de algumas travessuras
Não fazia o dever de casa
Preferia correr pelas ruas
Molhando o corpo com a água da chuva
Mas quando papai chegava
Ela nos perdoava, era hora de almoçar
Mamãe gritava, eu dizia...
Já vou!
Ai que saudade que dá
Do lanche de tardezinha
Mamãe preparava com carinho
O pão com mortadela
Uma tubaina num copinho
Tomava bem devagarinho, mesmo bem quentinha
Só pra não acabar
Depois, o banho tínhamos que tomar
Mamãe gritava, eu dizia...
Já vou!
Ai que saudade que dá
Já deitado em nossa cama
Fingindo estarmos dormindo
Mamãe vinha nos espiar
Mas com todo o cuidado, pra não nos acordar
Sua benção vinha nos dar
E sobre nós estendia o cobertor
Era esse o verdadeiro amor
Por acaso, se ouvia algum barulho
É hora de dormir
Mamãe logo gritava, eu dizia...
Já vou!
Ai que saudade que dá
Desse mimo sem medida
Dessas tardes bem vividas
Dessas lembranças que me fez vencedor
Que carrego por toda vida
Precisou o tempo passar e você ficar bem velhinha,
Para perceber que essa foi a grande riqueza que eu tinha
Mamãe, amiga, meu anjo da guarda
Muito obrigado, que Deus lhe abençõe
Acaso de mim precisar
É só gritar
Já vou...!
Elcio Aparecido de Oliveira