09 de julho de 2026
Bairros

Terceira idade: Futuro de Bauru pertence a eles

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

"Na casa da vovó Bisa tem: bombom. Na casa da vovó Bisa tem: batom. Na casa da vovó Bisa tem: Monteiro Lobato. Na casa da vovó Bisa tem: canjica no prato. Na casa da vovó Bisa tem porta-retrato com foto da família reunida no Natal".

A música "Na casa da vovó Bisa", de autoria de Gabriel O Pensador, fala das coisas boas que é possível encontrar na casa da vovó ou do vovô. Afinal, quem não tem boas lembranças do cantinho onde, além de carinho, é possível desfrutar de momentos de muita alegria e uma diversidade de guloseimas?

A boa notícia é que Bauru está cada vez mais cheia de casas de vovós e de vovôs. Isto porque, segundo o Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, o número de pessoas com mais de 60 anos está em constante crescimento na cidade.

Ao todo, eles somam 44.941, o que corresponde a 13% dos habitantes da cidade. O dado ganha proporções ainda maiores quando comparado com o número de crianças com até 4 anos: os idosos são o dobro delas.

Outros dados divulgados pelo IBGE levam a compreender a transformação pela qual a cidade está passando. Segundo a pesquisa, a redução da fecundidade aliada ao aumento na perspectiva de vida, que atualmente é de 72,32 anos, e ao rápido processo de envelhecimento populacional estão configurando este cenário.

Em 1980, por exemplo, apenas 7,8% da população tinha mais de 60 anos. Neste mesmo ano, 4.990 bebês deram seu primeiro choro em Bauru.

Dez anos depois, em 1990, o número de idosos aumentou, passando a 8,9%, em contrapartida o número de nascimentos decaiu para 4.703. Neste último Censo, foi constatado que os idosos são 13% da população e que o número de nascimentos caiu ainda mais, passando a 4.274.

A inversão na pirâmide de idade merece uma análise. A cidade está preparada para lidar com o aumento no número de pessoas com mais de 60 anos? Será que o vovô e a vovó se contentam em ficar em casa, aguardando a chegada dos netos? Ou será que preferem curtir a terceira idade? Talvez, a melhor resposta seja o caminho do meio, o equilíbrio entre as duas coisas.

De acordo com os idosos entrevistados, a parte dos netos está sendo bem feita, falta agora o município colaborar com sua parcela para que a melhor idade alcance a felicidade.

E as reivindicações não são poucas. Vão de melhorias no atendimento à saúde ao aumento no número de atividades culturais e de lazer oferecidas especificamente para estes públicos nos bairros, perpassando por questões de infraestrutura e segurança, como calçadas mais regulares e sem obstáculos, inserção de banheiros públicos em diversos pontos da cidade e áreas de lazer com planejamento específico para atendê-los.

"Além disso, acho que a população, no geral, deve se conscientizar que nós fazemos parte da cidade e cada dia somos mais representativos, por isso, devem respeitar e aprender a conviver conosco. Um bom começo é não parar nas vagas de idosos e respeitar caixas preferenciais", reivindica Maria Helena Pinho de Assis, 69 anos.

Para José Xaides de Sampaio Alves, arquiteto e professor da Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação (Faac) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, uma grande evolução na forma de tratar o idoso já ocorreu na sociedade, porém ainda há muito a ser feito. De acordo com ele, a questão é complexa e é pertinente à toda a população.

"Banheiros públicos, calçadas regulares, respeito no trânsito, transporte público eficiente e atividades de lazer e cultura, entre outras coisas, são necessidades gerais da população, independente da idade.

O que acontece é que após os 60 anos essas necessidades são mais acentuadas", explica.

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Público alvo

Os idosos estão na lista de preferências da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), bem ao lado de crianças e mulheres. A informação é da titular da pasta, Darlene Martin Tendolo, que sabendo da importância deste perfil de moradores para a cidade afirma que há muita coisa a ser feita.

De acordo com ela, Bauru oferece às pessoas com mais de 60 anos atividades de lazer e atendimento psicológico e social nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), espalhados por nove bairros.

Além disso, os projetos para construção de um Centro de Referência ao Idoso, no Jardim Carolina, e de uma praça para os idosos, próximo da Sociedade Hípica de Bauru, estão em andamento.

"Fico feliz que a população com mais de 60 anos está aumentando em nossa cidade e afirmo que eles merecem todo o respeito do mundo. São pessoas que só colaboram com o município, pagam seus impostos e contas corretamente e não causam problemas. Nosso principal desafio é dar autonomia a eles", afirma Darlene.

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Prova dos nove


As reivindicações dos idosos por melhorias na infraestrutura, segurança, saúde e lazer na cidade têm fundamento. Em 2008, uma análise do Índice de Futuridade, que caracteriza o município quanto às suas iniciativas na área da assistência social à pessoa idosa, feita pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), atribuiu a Bauru nota 40,9, considerada média, já que o máximo é 100.

Nesta mesma avaliação, Bauru ganhou nota 10, num total de 100, com relação a proteção social.

A análise concluiu que faltam ações que estimulem o convívio familiar e comunitário, o acesso à renda, o atendimento a idosos com direitos violados e a proteção social em casos de perda total do vínculo familiar.

Quando a dimensão da participação, que identifica a oferta de programas culturais, atividades, esportes, turismo e a existência de um Conselho Municipal da Pessoa Idosa, o municípío recebeu índice 83,3. Na dimensão da saúde, a nota foi 62,4.