08 de julho de 2026
Geral

Internos do Lar Escola serão transferidos

Por Vitor Oshiro | Com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Com pouco mais de um mês da gestão da nova diretoria, o Lar Escola Rafael Maurício tenta se reestruturar como pode para não ser extinto. Entretanto, a situação está complicada. Já sem os antigos projetos educacionais , decisão judicial tomada a partir de uma ação que visa dissolver a entidade firmou a transferência dos internos até o próximo domingo, dia 15.

Segundo o promotor da Infância e Juventude, Lucas Pimentel de Oliveira, essa ação foi instalada em fevereiro e impõe que, "caso a situação do Lar não melhore, ele precisará quitar todas as dívidas e, posteriormente, será extinto".

O promotor explica que a possibilidade de dissolução é real, entretanto, aponta que ainda há chances de que a entidade continue funcionando. "A ação visa a extinção do Lar Escola caso continue nessa situação de crise. Se eles eliminarem as irregularidades e comprovarem que possuem capacidade de continuar atendendo, o local não será dissolvido", completa o promotor Lucas Pimentel.

Segundo o diretor geral do Lar Escola Rafael Maurício, Alexandre Martins Perpétuo, a luta para evitar o fechamento da instituição é árdua. Ele explica que ainda há vários problemas a serem solucionados.

"Ainda estamos lutando bastante. O nosso (da nova diretoria) maior problema era a falta de conhecimento de como funcionava o Lar Escola. Agora, todos estamos inteirados do processo. Já sabemos todo o funcionamento e estamos conseguindo resultados", informa.

Entretanto, a ação de dissolução resultou em uma decisão judicial tomada pelo juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, que decretou a transferência dos internos até o próximo dia 15.

Apesar da diretoria ainda estar tentando reverter a decisão, a transferência já está acertada. Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria do Estado de Desenvolvimento Social, até mesmo o destino desses internos já está concluído.

De acordo com o que a reportagem apurou, dos 49 internos, 30 irão para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Dois Córregos, 16 para a Apae de Bauru, dois - que são irmãos - ficarão com os familiares e um deles, com comprometimento mental elevado, será transferido para o hospital psiquiátrico Thereza Perlatti de Jaú.

De acordo com a assessoria, os imóveis já foram alugados para a instalação dos internos e a verba para a mobília já foi liberada. Por interno, cada instituição receberá R$ 1.200,00. A assessoria da Secretaria do Desenvolvimento Social também informou que estão sendo tomados todos os cuidados para não separar familiares e até mesmo amigos de infância.

Diretoria

Segundo o diretor da entidade, Alexandre Pérpetuo, ainda há um esforço para reverter a transferência. Ele explica que a decisão foi tomada antes da nomeação da nova diretoria. "A situação estava realmente pior. Agora, estamos nos reestruturando e queremos provar que podemos seguir com o Lar Escola. Não queremos a transferência, pois essa é a casa deles".

De acordo com ele, a nova diretoria luta contra o tempo para impedir a transferência dos internos. "Estamos tentando intervir junto ao próprio governador para que eles (os internos) não sejam transferidos. Também vamos até a Câmara de Vereadores pedir a ajuda de todos", completa Perpétuo, que ainda afirma caminhar bem para reestruturar o Rafael Maurício e readquirir a credibilidade da entidade.

A reportagem apurou também que estão sendo reunidos vários documentos para serem encaminhados ao juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, para tentar reverter a decisão.

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Histórico da crise


Fundado oficialmente em 26 de dezembro de 1963, o Lar Escola Rafael Maurício é uma das entidades mais tradicionais de Bauru. Muitos dos internos vivem lá desde que nasceram e só conhecem a instituição como verdadeiro lar.

Entretanto, o local passa por uma das maiores crises de sua história. Os problemas começaram no ano passado com o fim do convênio da entidade com um ambulatório que prestava serviços de audiologia nas dependências do Lar Escola Rafael Maurício e repassava à instituição 20% do faturamento mensal. Atualmente, o Lar Escola abriga 49 internos do sexo masculino, entre 6 e 45 anos de idade, portadores de deficiência mental. Entretanto, com a decisão judicial, eles já têm data marcada para serem transferidos a outras instituições.

Além desse público, a entidade ainda executava projetos com a comunidade de bairros em torno da Vila São Paulo, com repasses da Secretaria do Desenvolvimento Social (Drads) e Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes). Esses projetos também foram suspensos de forma permanente para tentar reestruturar a entidade e evitar sua dissolução.

Outro desdobramento da crise ocorreu na escola de ensino especial da instituição, que até o fim do ano passado atendia 100 crianças e, agora, está com as atividades paralisadas.