11 de julho de 2026
Bairros

Polícia investiga morte de comerciante e família decide desativar o bar

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

"Bar da Zirda". Era esse o nome do estabelecimento localizado na rua Capitão João Antônio Loureiro, Vila Pacífico e administrado pelo comerciante Gildásio da Cunha Silva, de 42 anos, cujo corpo foi encontrado anteontem na zona rural de Piratininga. Motivados pelo medo e tristeza, depois de 17 anos de atividades, a família decidiu fechar o bar.

A decisão foi tomada por Zilda Maria da Silva, 69 anos, esposa do comerciante e quem inspirou a nomeação do local. "Não vou mais tocar o bar. Não dá mais. Acabou", revela, bastante decidida.

A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), apura o caso sob duas linhas de apurações. Além de latrocínio - roubo seguido de morte -, é aventada também a possibilidade de que outros fatores tenham motivado o homicídio.

Na madrugada em que foi morto, a residência da família foi assaltada por dois homens - um deles armado de revólver. Como eles possuíam as chaves da residência, a polícia acredita que os ladrões abordaram Gildásio Silva na rua - que havia saído para caminhar por volta das 23h40 -, o mataram e depois foram até sua casa.

"Eu acordei com um homem apontando uma arma para mim. Tinha também outro indivíduo. Eles cobriram meu rosto com um cobertor e me amarraram. Estavam com as chaves do meu marido e levaram um bracelete, minha aliança, dois cordões de ouro, cerca de R$ 500,00 aqui de casa e mais todo o dinheiro do bar. Queriam a todo momento uma arma, pois, disseram ter sido informados de que, como meu marido já havia trabalhado como segurança, tivesse um revólver aqui", explica Zilda da Silva, que confirma o fato de Gildásio ter sido segurança, porém, nega existir armas na residência.

A situação converge bastante com a linha de latrocínio, entretanto, o que gera dúvidas em tal hipótese é o modo como o comerciante foi morto. Por isso, segundo o delegado titular da DIG, Carlos Alberto Gomes Alves da Silva, esse não é o único caminho a ser seguido.

"Estamos trabalhando em duas linhas de investigação: o latrocínio e o homicídio. O primeiro é pelo assalto à residência e pelo fato de terem levado o celular da vítima. Entretanto, o modo como ele foi morto levanta a hipótese de que seja homicídio mesmo", explica o delegado.

De acordo com a polícia, o comerciante foi assassinado com bastante brutalidade. Além de facadas no pescoço e na cabeça, que resultaram em cortes profundos, o corpo apresentava várias marcas, o que indica que foi espancado antes da morte.

A própria esposa do comerciante, Zilda da Silva, revela tamanha crueldade. "Eles (os bandidos) acabaram com ele. Estava com a testa afundada, cortes nos olhos e degolado. Não sei o porquê fizeram isso. Meu marido era um homem muito querido. Todos gostavam dele", complementa.

Outro caso

Se a hipótese de latrocínio for confirmada, o caso pode ser o primeiro de Bauru em 2011. Entretanto, outra ocorrência ainda é investigada. No começo do ano, Pedro Amaral Júnior, 27 anos, foi baleado e assassinado dentro de uma oficina mecânica de sua família, no bairro Vila Bela, onde ajudava o pai a administrar o estabelecimento.

O delegado da DIG Cledson do Nascimento, responsável pelas investigações desse crime ocorrido em 3 de janeiro, explica que esta é a hipótese mais provável, entretanto, alega que as apurações ainda não foram concluídas. "Nossa principal linha de investigação realmente é o latrocínio, porém, somente com o fim do inquérito, poderemos garantir isso com certeza. Até agora, o que apuramos torna essa hipótese mais provável", complementa.

Na ocasião, nada foi levado da oficina, o que levantou a hipótese de uma execução. Todavia, familiares e amigos da vítima, que foi morta com dois tiros nas costas, apontaram que Pedro não possuía quaisquer inimigos.