Parece que agora o álcool está baixando de preço nas usinas e já começa a refletir nos postos. Como a gasolina continua com os preços estratosféricos, a relação de 70% do custo do álcool volta a ser interessante e nos permite abastecer o tanque com o produto novamente.
Só que muitos têm mais dúvidas do que o necessário a respeito de combustíveis, visto que tudo já foi explicado centenas de vezes, mas tem gente que ainda questiona. Algumas dúvidas que recebo frequentemente referem-se se vale a pena voltar a usar o álcool agora baixou de preço, se ele não corrói o motor, se polui mais ou menos que os outros combustíveis, e por aí vai. Não vou nem responder a algumas pérolas como "pra que serve um carro flex com o preço do álcool tão alto?"... Pelo jeito, tem gente que se recusa mesmo a pensar um pouco!
A escolha entre gasolina e álcool para um carro flex deve ser feita levando-se em conta apenas 5 fatores: disponibilidade (me parece óbvio, se não tem um leva o outro); preço (também óbvio, respeitando a proporção de 70%); ecologia (o etanol é biológico, vem de plantas e não depende de reservas finitas e raras como o petróleo); performance do motor (o álcool oferece mais potência e arranque mais rápido que a gasolina) e índice de emissões (o etanol polui menos que a gasolina). No mais, tudo é igual a ambos combustíveis, ou seja, período de troca de óleo, desgaste do motor, manutenção, durabilidade, etc.
Tirando-se as escolhas econômicas mais óbvias, restam as mais conceituais. Por exemplo, os motores flex oferecem em média mais 3 a 5CV de potência quando movidos a etanol, daí terem maior desempenho e melhorarem a performance do carro. Isto não quer dizer que vai virar um foguete, mas ficará mais esperto e terá reações mais rápidas. Outro conceito filosófico é o ecológico. Se você prefere um combustível natural, que pode ser produzido indefinidamente, mais "verde", optará pelo etanol independentemente de qualquer outra coisa. Inclusive pelo fato de que o álcool também polui menos. Este é também o critério ambiental, que leva em conta a poluição do ar. Aqui, quero fazer alguns comentários mais profundos e técnicos, incluindo também o diesel na comparação.
Pouquíssimas pessoas escolhem seu combustível apenas pelo fato de ser menos poluidor, sem levar mais nada em consideração. Só os ambientalistas xiitas levam isso ao pé da letra. Os demais consideram os outros fatores como determinantes de sua escolha. Assim, devo lembrar que todo combustível polui de alguma forma, exceto o hidrogênio (que gera água como resíduo da combustão). Um motor diesel emite pouco monóxido de carbono ou CO, pois sua câmara de combustão admite muito ar e o CO só se forma com pouco oxigênio no ambiente. Em relação aos hidrocarbonetos, emite tanto quanto os demais combustíveis. Onde realmente pega nas emissões dos motores diesel é na elevada quantidade emitida de óxidos nitrosos, que causam irritação pulmonar. Outro agravante de um motor diesel é a emissão de fuligem, que gera a fumaça escura do escapamento. A fuligem é suja mas não é tóxica.
A gasolina tem outra composição molecular, com grandes cadeias de carbono que dificultam a reação com o oxigênio do ar na hora da queima, gerando mais CO (que causam dor de cabeça por poluição) e diversos tipos de hidrocarbonetos, alguns cancerígenos. O etanol, por ter cadeias de carbono mais curtas facilita a reação com o oxigênio do ar, por isso libera menos CO e hidro-carbonetos do que os demais combustíveis, daí ser o menos poluente.
Tudo o que foi comentado acima se refere a motores novos ou em bom estado de conservação, o que não representa o grosso da nossa frota circulante. Motores diesel mal regulados, com a bomba injetora aberta para ganhar mais alguns cavalos de potência ou por desleixo mesmo do proprietário (melhor dizendo próprio-otário), geram muito mais poluição tóxica e fumaça suja do que outro bem regulado. O mesmo vale para os motores ciclo Otto, sejam a gasolina ou álcool. O nível de CO e hidrocarbonetos sobe muito se a vela de ignição estiver velha, suja ou com abertura do eletrodo mal regulada, filtro de ar entupido, catalisador inoperante (ou mesmo ausente, seja por quebra do elemento cerâmico ou retirada pura e simples pelo "esperto") ou mesmo por combustível adulterado. Afinal, um motor foi projetado para funcionar com determinadas características e só rodará bem se estiver bem regulado e mantido.