08 de julho de 2026
Bairros

PM se entrega e confessa homicídio

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

O policial rodoviário Ricardo Rafaeli, 30 anos, se entregou ontem para a Polícia Civil e, de acordo com a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), confessou o assassinato do dekassegui João César Takamatsu Salvador, 29 anos, cometido no mês passado, no Núcleo Gasparini, em Bauru. Apesar de confessar o crime, ele alega ter agido em legítima defesa.

O homicídio ocorreu durante a manhã do último dia 18 na quadra 7 da avenida Aparecida Inês Chrispim de Matos. Na ocasião, a vítima foi atingida por oito disparos em frente a uma academia. No próprio dia do crime, Ricardo Rafaeli, policial rodoviário da área de Jundiaí e que passava férias em Bauru, já foi apontado como o principal suspeito.

João Takamatsu havia passado cinco anos no Japão e, quando foi assassinado, fazia apenas três semanas que voltou ao Brasil. Contra o dekassegui, havia um mandado de prisão temporária por roubo e ele já havia sido preso no Japão por um acidente de automóvel.

Entretanto, a morte da vítima não teve qualquer relação com o seu respectivo passado criminal. Logo que foi assassinado, a hipótese era de que o crime seria passional, uma vez que a ex-esposa do principal suspeito teria tido um relacionamento anterior com Takamatsu.

Hipótese que, segundo o delegado titular da DIG, Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva, foi confirmada ontem com a confissão de Ricardo Rafaeli. "Ele disse que sua ex-esposa teve um relacionamento com a vítima há 12 anos. Depois que (João Takamatsu) voltou do Japão, ambos frequentavam a mesma academia. Foi dentro e fora desse estabelecimento que tudo ocorreu", complementa.

De acordo com o delegado, Rafaeli informou que, desde que a vítima voltou do Japão, havia vários desentendimentos entre eles. No dia do crime, o dekassegui teria ofendido o policial e ele revidou. "Ele diz que agiu em legítima defesa. Disse que fez um disparo e a vítima teria tentado tomar a arma dele. Por isso, houve toda a ação. Segundo o que declarou, ele atingia João, porém, ele continuava se levantando", completa.

O policial rodoviário ainda teria narrado, em depoimento, um longo confronto que culminou com a morte da vítima. A briga ocorreu tanto dentro quanto fora da academia em que estavam. Na parte interna do estabelecimento, Rafaeli alegou ter feito dois disparos.

Segundo Carlos Alberto, o dekassegui foi morto com oito tiros. Ontem, a arma utilizada no crime também foi apresentada: uma pistola .40 de uso restrito da PM. "Na ocasião, já sabíamos que era essa a arma. Os projéteis eram de ?ponta oca?, tipicamente da pistola .40", explica o delegado.

Prisão temporária

No último dia 20, dois dias depois do crime, a DIG solicitou o mandado de prisão temporária para Ricardo Rafaeli. Agora, com a apresentação dele, a prisão começa a valer pelo prazo de 30 dias.

Entretanto, o delegado Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva afirma que, para concluir as investigações, pode pedir prorrogação da prisão temporária por mais 30 dias ou até mesmo a prisão preventiva.

O policial rodoviário foi indiciado por homicídio e, ainda ontem, foi transferido para a presídio militar Romão Gomes, localizado em São Paulo. O pedido de transferência foi feito por volta das 14h, porém, o transporte somente foi realizado próximo das 20h, quando uma viatura do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR) recolheu o acusado.

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Quase desertor

Apesar de Ricardo Rafaeli ter se entregado ontem, o delegado titular da DIG, Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva, aponta que as investigações estavam bastante avançadas e já apontavam até mesmo o paradeiro do policial rodoviário. "Sabíamos que ele estava escondido em São Paulo. O cerco estava se fechando contra ele".

De acordo com o delegado, o fato de Rafaeli ter se entregado não muda em nada o inquérito e é visto apenas como uma estratégia jurídica. "Ele estava em licença premium na PM quando tudo ocorreu. A licença vencia agora, no dia 13 (amanhã). Se ele ainda estivesse foragido, passaria a ser considerado desertor na própria PM. Isso complicaria ainda mais a situação dele", completa o delegado.

A advogada de Ricardo Rafaeli foi procurada pela reportagem, entretanto, não atendeu o celular e nem retornou o contato.

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?Foi um crime de execução e eu quero justiça?, diz mãe da vítima

Ao contrário da versão apresentada pelo policial rodoviário Ricardo Rafaeli, a mãe da vítima, Isabel Aiko Takamatsu, tem a absoluta certeza de que o assassinato de seu filho não resultou de um ato de legítima defesa. Com a prisão do acusado, ela se diz mais aliviada, porém, alega que a justiça precisa ser feita.

"Como ele alega que estava se defendendo? Ninguém dá oito tiros em alguém só para se defender. Quero ver ele preso e a justiça sendo feita. Não é pelo fato de ele ser policial que a punição não deve ocorrer", desabafa.

Além de execução, Isabel Takamatsu, que mora no Núcleo Gasparini e a poucos metros de onde o filho foi morto, afirma que o crime foi premeditado. "Ele (Ricardo Rafaeli) estava rondando meu filho há alguns dias. Dois dias antes do crime, se matriculou na mesma academia do meu filho. Ele chegou a ir na minha casa com a esposa - o pilar do desentendimento, segundo as investigações - e dizer que não queria mais viver com a garota. Disse que era para meu filho ficar com ela", relembra a mãe.

Em meio a tanta tristeza no último mês, o dia de ontem foi de alívio com a prisão de Rafaeli e de alegria com outro acontecimento. "Perdi meu garoto há quase um mês e, hoje (ontem), meu outro filho, que também estava no Japão, voltou com a esposa. Fiquei muito feliz em tê-lo de volta. Não vai compensar minha perda, mas ajuda a seguir em frente", conclui Isabel Takamtsu, emocionada.