09 de julho de 2026
Polícia

PM: profissão também é paixão feminina

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Com muita garra, dedicação e amor pela profissão as mulheres venceram o preconceito e atualmente atuam na Polícia Militar (PM) da mesma forma que os homens, literalmente ?colocando a mão na massa?. Hoje, o Policiamento Feminino do Estado de São Paulo comemora 56 anos de existência e mostra, com os trabalhos realizados, que ser policial militar também é coisa de mulher.

A história da capitão Fernanda Silva Barbosa de Melo, 37 anos, policial há 19 anos que atualmente comanda a 6ª Companhia da PM - que abrange os municípios de Pederneiras, Arealva, Macatuba e Iacanga -, é de uma intensa paixão pela profissão de policial. Sua família é composta, em sua maioria, por médicos e policiais militares, e apesar dela ter a opção de ingressar na carreira, queria também estudar direito.

"Eu nasci em Vitória, no Espírito Santo, mas logo fui para São Paulo e com 17 anos prestei a seleção para a academia de Barro Branco. Na primeira tentativa não passei porque tinha apenas 20 vagas para mulheres, então comecei a cursar direito. No ano seguinte prestei novamente a seleção para a academia e passei. Meu pai disse: você já começou o direito, se quiser terminar... E eu disse: não, vou trancar a faculdade porque eu quero ser policial", contou a capitão.

A faculdade de direito Fernanda concluiu posteriormente, com mais tempo, no Mato Grosso do Sul. A policial já saiu da academia com a patente de tenente. No início atuava em situações que envolviam família, crianças, mulheres e idosos. "Eu não cheguei a pegar a época que as mulheres usavam saias. A minha farda já era como é atualmente, com calças", completou.

Essa fase ligada especificamente ao trabalho ?feminino? não durou muito tempo, porque logo Fernanda começou a comandar tropas mistas e a conviver mais com os policiais. Como casou-se com um PM, o capitão Ézio Carlos Vieira de Melo, a conciliação entre trabalho e família ficou mais fácil.

Logo vieram os filhos, que hoje são três: João Vitor, 14 anos, Ana Júlia, 10 anos, e o pequeno Paulo Henrique, 5 anos.

"Eu conto muito com a ajuda do Ézio e dos meus sogros para cuidar deles. Eu me preocupo mais do que eles com a minha profissão e a do Ézio na questão da periculosidade porque sou mãe. Mas eles entendem tranquilamente, inclusive o Paulo Henrique", ressaltou Fernanda.

No comando


A capitão Fernanda, que permaneceu 12 anos com a patente de tenente, como ela mesma diz, "galgou degraus" e tornou-se a primeira mulher da região a comandar uma Companhia da PM.

"Eu me sinto muito realizada e estou adorando. Ser policial é uma paixão realizada e é isso que eu quero como ideal de vida. Quero continuar mostrando meu trabalho e galgando degraus cada vez mais altos", finalizou.

Outro exemplo de amor à profissão é o da tenente Ana Maria Spuri Borin Sanioto. Ela conta à equipe de reportagem do Jornal da Cidade que sempre sonhou em perfilar as fileiras da Polícia Militar (PM). Ana Maria nasceu em Reginópolis mas mora em Bauru e trabalha atualmente em funções administrativas no 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I).

"Já trabalhei em atividades operacionais e nunca tive qualquer problema com os colegas de profissão, os quais sempre se portaram e se portam de maneira muito respeitosa e disciplinada", destacou. Ana Maria é casada, também com um policial militar, e ainda não tem filhos. Fora da ?farda?, ela gosta de jardinagem.

Para a tenente, "a Polícia Militar é uma Instituição que está num constante processo de evolução, objetivando aos policiais militares, independentemente do sexo, a excelência na gestão de suas atividades". Ana Maria sempre teve apoio de sua família na decisão de ser policial militar.

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História


A inserção de mulheres fardadas que executassem tarefas policiais surgiu na Segunda Guerra Mundial na Europa, em uma necessidade de substituir a falta de soldados feridos em combate. No Brasil a ideia começou a ganhar força na década de 50, e em 1955 foi criado em São Paulo o Policiamento Feminino, com apenas 13 jovens.

Inicialmente as tarefas de policiamento eram aquelas que melhor se ajustassem ao trabalho feminino em razão da psicologia peculiar da mulher naquela época.

Posteriormente foi criado o Comando de Policiamento Feminino, além de cinco batalhões na Capital que atendem toda a região metropolitana.