Um mutirão formado por 110 funcionários de todas as secretarias municipais, contando com o apoio da população do Jardim Vitória, estará trabalhando hoje na mudança das 38 famílias que deixarão à favela rumo às unidades habitacionais do Residencial São João do Ipiranga, das quais receberam as chaves na manhã de ontem. Além disso, o Grupo Multisetorial, responsável pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, promoverá as mudanças das famílias que permanecerão no Jardim Vitória, mas vão ocupar casas reaproveitadas.
Para a execução de uma operação tão grande, que contará ainda com a demolição de 20 casas em área de risco do Jardim Vitória, foram necessárias cinco reuniões envolvendo todas os setores da prefeitura, que resultaram em um mapa minucioso da área, indicando a situação das 90 residências do local e o destino que será dado a cada uma delas. A partir disso, foi montado um cronograma de ações a ser executadas por quatro frentes de trabalho.
Terão prioridade as mudanças de famílias de residências que serão ocupadas por outras remanescentes no Jardim Vitória, que deverá ser urbanizado pela administração. Simultaneamente, as casas localizadas em áreas vulneráveis serão demolidas, começando pelas que estão posicionadas em sequência espacial. Por fim, as demais mudanças serão feitas.
Segundo a vice-prefeita Estela Almagro (PT), que coordena o Grupo Multisetorial, o desafio é concluir todas as elas até o final do dia de hoje. No entanto, existe a possibilidade de restarem algumas pendências para amanhã. "Vamos começar os trabalhos às 7h da manhã com um café coletivo para a comunidade e para os funcionários que atuarão na nossa força-tarefa", explica.
Além do pessoal fornecido pelas secretarias para a realização das mudanças, o Grupo Multisetorial contará com a operação de 16 caminhões de diversos tipos e tamanhos, um ônibus, dois automóveis de médio porte, uma escavadeira, uma pá carregadeira, uma retroescavadeira e uma mini pá carregadeira.
Por parte dos moradores do Jardim Vitória, coube deixar a mudança pronta, com todos os pertences guardados em caixas fornecidas pela Secretaria do Meio Ambiente (Semma). Os adultos das famílias deverão permanecer e ajudar nos trabalhos de mudanças ao longo do dia enquanto todas as crianças serão transportadas a uma unidade escolar, onde serão propostas atividades de lazer com o auxílio de monitores.
A vice-prefeita ressalta também que todos os envolvidos nos trabalhos terão almoço oferecido pela cozinha do Departamento de Água e Esgoto (DAE), que também fornecerá água potável para o consumo de funcionários e moradores durante o dia. Os funcionários da Secretaria Municipal de Saúde também devem atuar com orientações aos moradores acerca de cuidados necessários para o controle de zoonoses.
O material fruto das demolições será transportado pela Secretaria Municipal de Obras e pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) para uma área pública, onde será selecionado para possível reaproveitamento. "Poderemos dar nova utilidade para madeiras em boas condições, janelas, pias e vasos sanitários ", pontua Estela.
Primeiras
As 38 famílias que habitarão o Residencial São João do Ipiranga serão as primeiras a ocuparem unidades habitacionais voltadas para população com renda familiar de até três salários mínimos. Elas foram escolhidas a partir de critérios socioeconômicos do projeto de desfavelização da Prefeitura.
Cada uma dessas famílias pagará pelas casas, durante 10 anos, parcelas que variam entre R$ 50,00 e R$ 139,00. Cada moradia vale R$ 43.789,35, mas o valor pago pelas famílias corresponderá a um percentual de 13,7% a 46,5% do total, pois o restante é subsidiado pelo Governo Federal com recursos do FAR-Fundo de Arrendamento Residencial.