Madri - Dois terremotos seguidos, de magnitudes 4,5 e 5,1 na escala Richter, deixaram pelo menos oito mortos e dezenas de feridos na cidade espanhola de Lorca, que fica na região de Murcia, no sudeste do país. O segundo tremor foi o pior registrado na Espanha nas últimas três décadas. Na tarde de ontem, o governo espanhol chegou a falar em dez mortos, mas depois retificou a informação porque duas pessoas que eram contadas como mortas estavam gravemente feridas.
Os tremores - sentidos também na capital, Madri, com menor intensidade - danificaram ruas, casas e lojas e fizeram muitas pessoas na área urbana de Lorca saírem dos prédios, temendo novos desabamentos. A cidade tem cerca de 92 mil habitantes.
Imagens da TV espanhola mostraram famílias e crianças, amedrontadas, reunidas numa das praças centrais da cidade, em meio aos escombros que cobriam as ruas.
Prédios históricos como a igreja da Virgem de las Huertas, o palácio de San Julián e uma das principais atrações turísticas da cidade, o castelo de Lorca, também foram abalados pelo tremor. Não havia estimativa dos danos.
O epicentro do terremoto foi na serra de Tercia, nos limites do município, e se fez sentir com mais intensidade entre 5 km e 10 km a noroeste do centro urbano de Lorca, produzindo rachaduras em estradas e em viadutos.
Em entrevista ao jornal "El País", o geógrafo Emilio Carreño, do Instituto Geográfico Nacional, explicou que Murcia é a região de maior atividade sísmica na Espanha.
Em 2005, um tremor de 4,6 pontos sacudiu a área e provocou prejuízos materiais, mas não deixou mortos.
O governo espanhol constituiu um gabinete de crise e um comitê de análise e acompanhamento das consequências dos tremores. O vice-premiê, Alfredo Pérez Rubalcaba, deve visitar a cidade hoje.
Além disso, uma unidade militar de emergência, com 190 homens, foi deslocada de Valencia, a cerca de 300 km de distância, para a cidade de Lorca.
No mesmo dia do tremor na Espanha, lojas fecharam e milhares de pessoas deixaram de ir ao trabalho ou à escola em Roma devido a uma "profecia", difundida pela Internet, de que a capital italiana seria destruída por um grande terremoto ontem.
A previsão é atribuída ao sismólogo autodidata italiano Raffaele Bendandi (1893-1979), que alegava que abalos sísmicos são resultado de movimentos combinados dos planetas e podem ser detectados com antecedência.
As teorias de Bendandi sempre foram desmentidas por astrônomos e sismólogos. A fundação que cuida de seu espólio veio a público negar que ele tivesse "marcado" o terremoto para ontem.