10 de julho de 2026
Política

?Recreio dirigido? continua gerando conflito nas escolas da rede municipal

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

A discussão em torno do ?recreio dirigido? nas escolas municipais de Bauru teve início ainda em 2009, mas continua gerando incômodo entre os professores da rede e sem solução no governo Rodrigo Agostinho (PMDB). Isso porque os profissionais teriam que propor atividades e ficar com as crianças durante os 15 minutos de intervalo entre as aulas. O assunto será a pauta principal hoje de uma reunião no gabinete do prefeito.

Na coluna Opinião da edição de ontem do Jornal da Cidade, a professora Cátia Carriço, que atua na rede há 18 anos, critica o interesse da Secretaria de Educação em impor a medida nas escolas de Bauru. Ela afirma que essa tarefa não deve ser incumbida aos professores, pois define o intervalo docente como "rito sagrado para a recuperação de energias mentais e físicas do profissional".

Além disso, Carriço aponta a função de inspetor de alunos como a ideal para a atividade, já que estes são concursados justamente para isso e várias cidades desenvolvem o recreio dirigido sob o comando desses profissionais. "A questão dos 15 minutos de intervalo vai além de uma mera preservação de direito. É a recuperação da dignidade profissional do professor. O estabelecimento do respeito perdido nas últimas décadas", aponta.

Quem também está envolvida nos debates acerca do tema é a vereadora Chiara Ranieri (DEM). Para o Plano Plurianual (PPA) de 2009, ela apresentou emendas sugerindo a contratação de professores de educação física com o objetivo de exercer justamente essa função. "Na ocasião, a secretaria respondeu alegando que o número de professores da área na rede municipal já era suficiente. Acredito que, para as aulas previstas na carga horária, devem ser de fato. No entanto, não para a nossa proposta, que resolveria o impasse, pois esses profissionais poderiam descansar seus 15 minutos em outro horário", explica.

A vereadora argumenta que os professores de educação física possuem formação específica para proporem atividades lúdicas às crianças durante o recreio. "Além disso, esses profissionais poderiam contar com o auxílio de estagiários para proporcionar a prática de esportes em diversas modalidades nas escolas", afirma.

Segundo Chiara, os inspetores não são os profissionais adequados para a condução do recreio dirigido, pois não são formados para as atividades necessárias. "Ficaria tudo do mesmo jeito", ressalta a vereadora.

Procurada pela reportagem, a secretária municipal de Educação Vera Caserio não deu entrevista sobre o assunto. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, ela deve se pronunciar após a reunião da tarde de hoje.