08 de julho de 2026
Cultura

Desatando nós

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 5 min

"O tempo que antecipa o fim/ Também desata os nós". O trecho é da música "Novamente", interpretada por Ney Matogrosso, primeira das nove canções responsáveis por instigar Arlete Guimarães a explorar os diversos sentimentos que habitam o mundo. Inspirada por melodias e letras, a artista produziu uma série de "poemas-anotações" e desenhos, onde faz questionamentos sobre a vida e propõe caminhos para entender a própria trajetória.

O resultado pode ser conferido pelo público a partir de amanhã na exposição "Nós e os nós", que abre a programação de aniversário dos 20 anos da Unesp FM, completados hoje. Nesta manhã, haverá uma vernissage somente para convidados no espaço externo da rádio.

"Sempre que estou no meu ateliê, estou ouvindo música. Quando escutei ?Novamente?, fui tocada de uma forma e comecei a pensar nas coisas que foram verdadeiras catástrofes na nossa vida e hoje parecem bobagens. E aí nos perguntamos: por que eu sofri por isso? É o tempo quem desata os nós", reflete Arlete, radicada em Bauru desde 1996 e ouvinte assídua da emissora.

Para expressar e compreender seus "nós", a artista desenhou os diversos fios responsáveis por ligar as pessoas e enriquecer as relações entre elas. "Representam as ligações que vão se formando pela vida, o modo como estamos unidos pela emoção (fios saindo do coração), pela intelectualidade (da cabeça) e pelo trabalho (das mãos)", explica sobre a obra que abre a exposição.

"A proposta da artista é que paremos um momento para ouvir (não simplesmente escutar), pensar e ao menos tentar desamarrar os nós que nos prendem ao que quer que seja", afirma o curador da mostra Wellington Coelho.


Processo criativo


No convite que criou para a exposição, Arlete cita Stephen Nachmanovitch (músico e escritor americano que ensina sobre improvisação e criatividade): "a música me ensinou a ouvir, não apenas o som, mas quem eu sou para explicar o modo como o desenho unido à música possibilitou a expressão de sentimentos diversos".

"A medida que eu desenhava e pensava nos trechos de cada música, fui fazendo muitas indagações. Como em todos os trabalhos eu fui encontrando respostas, no último decidi levantar várias perguntas", descreve a artista. Quem fecha a sequência dos nove desenhos e canções é "Ovelha Negra", da Rita Lee, com os versos "Baby, não adianta chamar quando alguém está perdido/ Procurando se Encontrar".

"Qual o limite das coisas? Dos sentimentos? Das ações? Até onde devemos ir? Onde começa o desequilíbrio? Como se distingue a proximidade da loucura? Será o desassossego um prenúncio? Ou a fronteira está na perda da crítica?", questiona Arlete ao fim da série de "Nós e os nós".


? Serviço


Exposição "Nós e os nós", de Arlete Guimarães será inaugurada hoje, às 10h, para convidados. Mostra aberta ao público a partir de amanhã até o dia 31, de segunda a sexta, das 8h às 17h, na rádio Unesp (avenida Engenheiro Luiz Edmundo Carrijo Coube, s/nº).

____________________

Exposição marca o retorno da artista


Além de celebrar o aniversário da rádio Unesp FM, "Nós e os nós" marca o retorno da artista Arlete Guimarães às exposições, após ser vítima, há quatro anos, de um atropelamento. O movimento da mão direita da escultora ficou comprometido e foi, em função de exercícios de reabilitação, que ela descobriu o lado escritora.

"Quando o movimento começou a voltar, para fazer as esculturas ia bem, por ser um trabalho pesado. Mas o desenho requer uma precisão muito grande. Então, o ortopedista recomendou que eu escrevesse bastante. Foi aí que ouvindo música, desenhando e escrevendo nasceram esses trabalhos", conta.

Filha de radialista, Arlete diz estar ansiosa para a realização de sua primeira mostra em quatro anos. "Herdei do meu pai a paixão pelo rádio. Retornar, em rádio, são conjunções impressionantes que a vida faz e estou muito feliz com isso", comenta.

Além dos nove desenhos feitos em bico de pena, Arlete mostrará algumas de suas esculturas. Duas delas têm como tema a forma humana e as demais são peixes que ficarão expostos no pátio central da rádio, criando um embate entre a brutalidade da pedra e a pretensa fragilidade da água.

____________________

Festa dos 20 anos da Rádio Unesp
segue com festival de cultura


Entre os destaques da programação comemorativa dos 20 anos da rádio Unesp FM está a realização do "Festival Cultural" entre os dias 24 e 26. No primeiro dia, o evento contará com show de Marcelo Jeneci, no Serviço Social do Comércio (Sesc). Depois, as comemorações seguem para o Guilhermão (anfiteatro da Universidade Estadual Paulista), onde serão realizados concurso de bandas, exposições e intervenções artísticas.

No dia 26, também no Guilhermão, o concurso de bandas é encerrado e a banda Pé de Macaco completa a programação. Criada no dia 13 de maio de 1991, a Rádio Universitária Unesp é uma emissora pública, de caráter cultural e educativo.

Atualmente com 25 profissionais no seu quadro funcional, a emissora transmite 24 horas por dia, oferecendo uma programação musical diversificada, que vai do erudito ao popular, além de muito jornalismo e informativos.

Também para celebrar o aniversário, desde o primeiro dia de maio, a Unesp FM vem inserindo novos programas. Como exemplo, o "Arquivos Sonoros", idealizado e produzido por Fábio Fleury, conta um pouco da história da emissora nessas duas décadas de existência e está matando as saudades de diversos programas, que já integraram a programação da rádio.

Além dos novos programas elaborados pelos produtores da emissora, alunos e docentes dos cursos de Comunicação da Faac terão uma faixa na grade, exclusivamente, para veiculação dos produtos gerados no projeto da rádio virtual Mundo Perdido, que leva o nome de "Produção Universitária".

A emissora atinge um raio de 100 km, atendendo Bauru e região e é sintonizada em 105,7 Mhz.