09 de julho de 2026
Geral

Greve suspende aulas da Fatec em Bauru

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Professores e funcionários das Faculdades de Tecnologia (Fatec) de Bauru, do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, paralisaram as atividades por conta de uma greve instalada em todo o Estado. Apesar de não ser de adesão integral, a paralisação não tem prazo para terminar e preocupa os alunos.

Segundo o docente de matemática Marco Antônio Modesto, em Bauru aderiram à greve 15 professores e três funcionários. "Era para ser uma paralisação de apenas um dia para mostrar nosso descontentamento. Porém, como estamos vendo que a situação não está sendo resolvida, resolvemos aderir à grave mesmo".

Ontem, alunos de duas classes da turma da manhã do curso da Fatec de Tecnologia em Redes já ficaram sem aulas. "Como não foram todos os professores que aderiram, vai ficar desse modo: alguns dias, eles terão aulas e, em outros, não", explica o professor.

Por meio da assessoria de imprensa, o Paula Souza confirmou que não houve aulas para as duas turmas em questão, porém, informou que haverá reposição de todas as aulas não realizadas durante o período.

A principal reivindicação dos grevistas é sobre o reajuste salarial. Segundo o professor Marco Modesto, como não havia reajuste dos ganhos desde 2005, o acumulado é bastante alto. "O reajuste correto seria de 82% aos professores e de 97% aos funcionários. É exatamente por isso que estamos lutando".

Na tarde de anteontem, o governo do Estado anunciou o reajuste salarial de 11% para professores e servidores administrativos do Centro Paula Souza, ou seja, muito abaixo do que eles reivindicam. "É um absurdo. Estamos há anos sem reajuste e eles apresentam isso? O último reajuste, em 2005, também foi conseguido em uma greve que durou 80 dias. Agora, também ficaremos o tempo que for preciso", completa Marco Modesto.

Em nota, os professores e funcionários grevistas ressaltaram o caráter de tempo indeterminado da paralisação e ainda apontaram outras reivindicações. "Apesar da imensa propaganda que o governo faz do nosso trabalho, nossos salários são os menores do Brasil, poucos trabalhadores têm direito ao vale transporte; muito poucos têm direito ao vale alimentação (cujo valor é R$ 4,00 por dia); o governo descumpre a legislação e não implanta os serviços de Medicina e Segurança do Trabalho nas unidades", argumentam.


Paula Souza


O Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza respondeu, por meio da assessoria de comunicação, que foi realizado um levantamento para saber a extensão da greve. Segundo a assessoria, em 84,9% das 239 unidades que responderam à pesquisa não haverá adesão à paralisação e em 5,4% a adesão é parcial.

A assessoria afirma ainda que o reajuste anunciado pelo governo - 11% - irá beneficiar 17 mil pessoas, entre professores e funcionários da instituição e até mesmo os inativos.

"Com o reajuste, que passa a vigorar a partir de 1º de julho, o salário inicial para jornada de 40 horas passa de R$ 2 mil para R$ 2.220,00 para os professores das Etecs, e de R$ 3.600,00 para R$ 3.996,00 para os docentes das Fatecs", alega o Paula Souza, em nota.

Além do aumento, a assessoria de imprensa também ressaltou o Plano de Cargos e Salários, "que apresentará uma nova perspectiva de adequação salarial aos funcionários da instituição" e a promessa de que, "em breve também serão divulgados os critérios para a Progressão Funcional, prevista na Lei 1.044, para os servidores de melhor desempenho na carreira".

De acordo ainda com a assessoria, a paralisação em Bauru somente afetou a Fatec, uma vez que a Escola Técnica (Etec) Rodrigues de Abreu manteve as aulas normalmente.


____________________

Alunos apoiam reivindicação, mas estão
preocupados


Com a suspensão das aulas de duas classes da turma da manhã do curso da Fatec de Tecnologia em Redes, os alunos já sentiram os efeitos desse primeiro dia de greve e estão preocupados. Entretanto, mesmo se sentindo prejudicados, eles acreditam que os professores estão certos.

Segundo Yago Hudson da Silva Ferreira, 17 anos, que é aluno e representante de classe do 1.º semestre do curso em questão, o que ocorre é um desrespeito do governo com os professores. "Nós queremos aprender. Queremos estudar. Mas sabemos que os professores estão no direito deles. Há um desrespeito e eles precisam cobrar isso".

Yago, que sempre estudou no ensino público, já foi prejudicado por outras greves e compreende a situação. "Conversei com os alunos e eles sabem que os professores estão certos. Porém, todos estão como eu: querem voltar a estudar. Passei minha vida inteira em escola pública e sei o que os professores enfrentam", complementa o jovem.

Com a situação, ele se sente "perdido". Espera que, na segunda-feira, seja informado do que será feito para que os alunos não sejam prejudicados ou que "a situação se resolva e as aulas voltem".