11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Lar Escola tenta mobilizar sociedade

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

O Lar Escola Rafael Maurício enfrenta sua pior crise e, sob o risco de ser extinto, pretende mobilizar a sociedade para se reestruturar. Na noite de ontem, o diretor da instituição, Alexandre Pérpetuo, reafirmou acreditar na recuperação financeira da entidade, o que evitaria a transferência dos 49 internos, conforme determinação judicial.

O prazo para a mudança de endereço dos atendidos expiraria hoje, segundo a ação que visa dissolver a instituição. Mas, segundo apurou o JC, eles ainda permanecem na unidade.

Como primeira medida para tentar sensibilizar a cidade em torno do problema vivido pelo lar, amanhã os funcionários da entidade realizarão uma passeata no Calçadão da Batista de Carvalho, a partir das 11h. "A intenção é pedir a ajuda da população e mostrar a importância da manutenção das atividades do lar para os internos", comenta Perpétuo.

De acordo com ele, os atendidos não foram transferidos até o momento - ainda que haja uma decisão judicial para isto - porque esta tarefa caberia à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Drads) e não à diretoria do Lar Escola. "Não fomos informados oficialmente de que nós é que deveremos providenciar o cumprimento desta determinação", disse o diretor.

Presidente da entidade de 1988 a 2004, o ex-prefeito de Bauru, Nilson Costa, também avalia que os moradores da cidade, assim como o poder público, precisam se mobilizar para manter o lar em funcionamento. Em sua avaliação, caso o prédio fosse fechado, certamente seria depredado e o abandono de uma estrutura tão grande poderia se tornar um problema para o município.

"Sabemos o que acontece quando um espaço é degradado e não queremos que isso aconteça com uma instituição que tanto fez pelos portadores de necessidades especiais de Bauru", observa. Segundo Costa, assim como a sociedade se uniu para construir a sede da entidade ? que não contou com nenhum recurso público -, também poderá se organizar para salvá-la do fechamento.

"Seria uma pena um projeto como esse fechar. Em um convênio estabelecido com o SUS (Sistema Único de Saúde), o lar distribuiu cerca de 10 mil aparelhos auditivos para pessoas de Bauru e região e até de outros estados. É um trabalho que não pode ser desprezado", comenta.

Atualmente, a dívida do Lar Escola é estimada em R$ 800 mil e a receita mensal, repassada por meio da Lei Orgânica da Assistência Social (Loas), de apenas R$ 10 mil. Para sanar os débitos com fornecedores e ações trabalhistas, o plano, segundo Perpétuo, é realizar eventos até o final do ano com o objetivo de angariar fundos.