09 de julho de 2026
Internacional

Premiê paquistanês ameaça americanos e sinaliza aproximação com a China

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Islamabad - Onze dias após o ataque americano que matou Osama bin Laden em seu território, o Paquistão elevou o tom diplomático contra os EUA.

Seu premiê disse que a cooperação com Washington pode ser revista exceto que haja passos dos EUA para "ganhar os paquistaneses", e que "acabou a confiança" entre os serviços secretos dos dois países.

Yusuf Raza Gilani escolheu a influente revista americana "Time" para dar o recado. Afirmou que "se a opinião pública está contra você (os EUA), então eu não posso resistir e ficar com você".

E deu a dica do que pode fazer: aproximar-se da vizinha gigante China ("Vamos cruzar essa ponte quando for a hora"), além de criticar a aproximação dos EUA com a rival histórica, a Índia.

A opinião pública no caso pode ser tanto o jornalista Muhammad Ghazi, educado em Londres, quanto o garçom que lhe servia chá ontem cedo em Islamabad, também batizado com o nome do profeta islâmico.

"Estamos de joelhos para os EUA. As Forças Armadas ou escondiam Bin Laden ou foram enganadas, eu não sei o que é pior", disse o garçom, secundado pelo jornalista.

Abbottabad, a cidade em que Bin Laden foi morto, sedia a principal academia militar do país. O ISI, o serviço secreto paquistanês, também tem sede próxima da casa. "Onde há um deficit de confiança, haverá problemas em compartilhar inteligência", disse Gilani.


Embaixador americano


O Paquistão chamou ontem o embaixador americano, Cameron Munter, para prestar queixas formais pela violação de seu território no ataque do dia 2 passado.

Segundo a imprensa local, Munter foi alertado pelo chanceler Salman Bashir de que não haveria tolerância a um novo incidente, no que ouviu um pedido de "desculpe, mas foi inevitável".