A realização em novembro do ano que vem dos Jogos Abertos do Interior (JAIs) em Bauru e a possibilidade de recepcionar um selecionado para a Copa de 2014 e atletas para as Olimpíadas Rio 2016 sugerem projetos de equipamentos esportivos para a cidade que podem destoar da realidade do usuário que pagará a conta e utilizará os espaços após os jogos. O superintendente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Marcus Vinícius Freire, avalia que a construção não é o caminho obrigatório. "Sou mais pelo caminho de recuperar o que já tem na cidade. Não adianta ter estrutura e não ter ninguém lá dentro", alerta Freire em entrevista ao JC, na última quarta-feira.
Diferente do que possa parecer, Freire não é contrário à construção de ginásios, complexos aquáticos e outras edificações esportivas. Ele entende que, politicamente, a cidade terá que fazer as obras. Para o superintendente do COB, a construção de novos aparelhos tem que vir acompanhada de mão de obra e logística de acesso. Ele cita a necessidade de treinamento para os professores, treinadores e condições dos alunos chegarem aos lugares.
Freire define que Bauru tem uma oportunidade singular ao realizar os JAIs, concorrer à subsede da Copa do Mundo e local de treinamentos Pré-Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. Ele diz que a cidade terá que fazer as obras necessárias. O gaúcho que reside há 30 anos no Rio de Janeiro exemplifica com a novela da construção do metrô na região da Barra da Tijuca, onde reside, que só saiu do discurso graças à Copa do Mundo e aos Jogos Olímpicos. "Bauru tem que aproveitar a vontade política de ter que fazer os jogos", destaca.
Freire trocou ideias na última quarta-feira com um grupo de empresários e políticos da cidade para detalhar como tirar vantagens financeiras e políticas de sediar grandes eventos esportivos. Só as Olimpíadas Rio 2016 trará ao Brasil 205 delegações para disputar 44 modalidades. Freire cita que ninguém pode se dar ao luxo de não abocanhar uma fatia dos US$ 100 bilhões que circularão no Brasil por conta da Copa e da Olimpíadas.
"Segunda-feira estava em Marília e brinquei que Bauru está na lista e falei: ?Bauru passou na frente de vocês está pertinho, mas já saiu ganhando?. Eles ficaram meio invocados ", contou Freire. Marília está se mexendo com previsão para este ano da entrega de um ginásio para 7 mil espectadores. Dois novos hotéis estão em fase de construção, duas novas companhias aéreas passarão a servir a região e o aeroporto passa por reformas, além de possuir um projeto de expansão pré-aprovado pelo governo estadual.
Freire entende que a indústria do Interior de São Paulo pode se beneficiar com os eventos. Freire acrescenta que os fornecedores de serviços e produtos podem se cadastrar no site www.rio2016.com para candidatar-se a fornecedor para a realização dos jogos. Os eventos esportivos assimilarão grades, papel, cadeiras para arquibancada, carrinhos de segurança e equipamentos esportivos entre outros. "Somos obrigados a gerar concorrência pública. Chegou a hora de ser proativo e participar", define.
Freire define que o Brasil fará, do seu jeito, tanto a Copa do Mundo quanto as Olimpíadas. "Os Jogos não são do Rio. Mas o Brasil inteiro pode aproveitar. Como Bauru que se candidatou para ser lugar de aclimatação e treinamento", finaliza.
Freire falou, na última quarta-feira, ao público do Fórum Empresarial Regional que circula pelas cidades do Interior paulista. Estavam presentes a vice-prefeita Estela Almagro, os secretários de Esportes, José Carlos de Souza Pereira, o Batata, de Desenvolvimento Econômico, Paulo Ferrari, do Planejamento, Rodrigo Said, a Delegada Regional de Esportes em Bauru, Michele Obeid, e o diretor da regional de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino.