08 de julho de 2026
Nacional

Contrariados do PMDB querem tomar o poder de Sarney e Renan Calheiros


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Brasília - Antes reduzida a três rebeldes geralmente ignorados pela cúpula peemedebista no Senado - Jarbas Vasconcelos (PE), Pedro Simon (RS) e Mão Santa (PI), que não conseguiu se reeleger -, a bancada dos contrariados do PMDB ganhou adeptos com a posse do novo Congresso e não parou mais de crescer. Ela se amplia a cada dia, por conta de questões regionais e dos problemas na relação com o governo e com o PT, embora o alvo principal seja a cúpula do Senado.

Hoje, os insatisfeitos e independentes são majoritários no PMDB. Somam uma dezena entre os 18 senadores peemedebistas, o que pode complicar a vida do Palácio do Planalto, mesmo estando a mira voltada para a dupla que comanda a Casa e a liderança do partido: José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL). A atuação desse grupo deve ficar mais clara a partir da votação do Código Florestal, que terá como relator no Senado o independente Luiz Henrique da Silveira (SC).

Luiz Henrique fez questão de mostrar a que veio logo na chegada, sinalizando que daria trabalho a Sarney. Na segunda semana de mandato, ele organizou uma reunião dos velhos companheiros de MDB que já vinham manifestando desconforto com a crise ética que desgastara a imagem do Senado e a liderança política de Renan e Sarney.

Participaram deste primeiro encontro outros quatro senadores "históricos" do PMDB: Pedro Simon (RS), Jarbas Vasconcelos (PE), Roberto Requião (PR) e Casildo Maldaner (SC), que segue a liderança de Luiz Henrique no Estado. Começaram aí as críticas à dupla e os planos de reunir uma frente para tomar-lhes o poder no partido.

Para tentar abortar este movimento, a Comissão Executiva nacional do partido reagiu. Menos de um mês depois da reunião dos históricos, prorrogou por mais 12 meses os mandatos das atuais direções nacional e estaduais, que venceria no final do ano. O grupo dos contrariados acusou o golpe. Os atuais dirigentes é que vão comandar as eleições municipais em 2012, o que está sendo interpretado por eles como uma forma de garantir o atrelamento do PMDB ao PT.

A frase síntese das queixas dos contrariados é de que, na bancada do peemedebista, são 14 senadores trabalhando para apenas quatro. A ironia faz referência ao quarteto que detém os postos de poder: o senador Valdir Raupp (RO), que assumiu a presidência do partido, e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), além de Renan e Sarney.

Isto ficou claro no enfrentamento direto entre o senador Eduardo Braga (AM) e Renan, em reunião da bancada. "Quero saber porque só o senhor e o Sarney têm tudo aqui na bancada", questionou o amazonense que já vinha reclamando nos bastidores que não serviria de massa de manobra para as reivindicações da dupla junto ao governo.

A temperatura voltou a subir na última reunião da Mesa Diretora na semana passada, quando Eunício Oliveira (CE) reclamou da falta de uma sala para receber as autoridades que são sabatinadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por ele.

Para complicar ainda mais a vida de Sarney, o relator do projeto de Reforma Administrativa do Senado também é integrante do grupo dos contrariados com os desmandos na Casa. Sarney foi contra, mas a CCJ criou uma subcomissão especial para tratar da reforma e o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) foi escalado para relatar a proposta.

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Temer frustra plano de Kassab


São Paulo - Os movimentos de reconstrução do PMDB paulista feitos pelo vice-presidente da República, Michel Temer, na semana passada, causaram um revés nos projetos do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

A caminho da fundação de seu PSD, Kassab não contava com o pré-lançamento do deputado Gabriel Chalita, recém-anunciado no PMDB, para concorrer à Prefeitura de São Paulo. O plano do prefeito era atrair o partido de Temer para uma aliança com o PSD. Por isso, no mês passado ele incorporou Bebeto Haddad, presidente do PMDB paulista, ao seu secretariado, à frente do Esporte. Em 2008, os peemedebistas estiveram com Kassab.

Inconformado, Kassab telefonou para líderes peemedebistas para criticar Chalita, que, segundo ele, vai atuar como linha auxiliar do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, seu padrinho político. Entre 2001 e 2006, Chalita foi secretário da Educação do tucano no governo paulista.

Dentro do PT, outra sigla que sonha com uma união com Temer na eleição do ano que vem, os movimentos do vice-presidente da República foram interpretados como um sinal de que ele, de fato, está empenhado na reconstrução do PMDB paulista e terá candidato próprio.

Os petistas foram avisados pelo vice de Dilma Rousseff de que o escritor e educador Chalita, egresso do PSB, será mesmo candidato a prefeito e que uma aliança só será possível em um eventual segundo turno.

Mas, conforme o raciocínio do PT de São Paulo, o pior cenário seria o PMDB novamente com Kassab ou com os tucanos, algo pouco provável neste momento.

Temer também filiou o empresário Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) como uma opção para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes em 2014, mas ele também poderá ser candidato no ano que vem caso Chalita, por qualquer motivo, não se viabilize. Skaf também deixou o PSB.

O projeto de Temer é ocupar o vácuo deixado pela morte de Orestes Quércia em dezembro do ano passado e se transformar em um líder regional, algo comum dentro do PMDB, porém não alcançado pelo vice. Quércia controlava praticamente todos os diretórios do partido.