10 de julho de 2026
Internacional

Acusação de abuso sexual contra o diretor do FMI choca a França


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Paris - O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, foi acusado ontem de abuso sexual contra uma camareira em um hotel em Nova York, em um escândalo que parece minar suas chances de disputar as eleições presidenciais da França.

As acusações também ameaçam criar um vácuo na liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI), que supervisiona o sistema econômico global. Um de seus advogados, Benjamin Brafman, disse que Strauss-Kahn se declara inocente.

O socialista de 62 anos, peça-chave na resposta à crise global do fim de 2007 a 2009 e à crise soberana na Europa, foi retirado de um avião da Air France que estava pronto para levantar voo no aeroporto internacional JFK, em Nova York, com destino a Paris, no sábado.

O porta-voz da polícia de Nova York, Paul Browne, disse que ele foi acusado de crime sexual e tentativa de estupro. Strauss-Kahn deveria aparecer diante de um juiz ainda ontem.

A prisão causou choque e incredulidade na França, onde um porta-voz do governo pediu cautela e respeito partindo do pressuposto de inocência até que se prove o contrário.

Francois Bayrou, oposicionista de centro de Strauss-Kahn, disse que o caso "é espantoso, embaraçoso e aflitivo". Já a líder francesa de extrema direita Marine Le Pen disse que as esperanças de Strauss-Kahn por uma candidatura à Presidência francesa acabaram.

Strauss-Kahn e Marine Le Pen vêm aparecendo em primeiro e segundo lugares em pesquisas recentes sobre as eleições presidenciais do próximo ano, à frente do presidente conservador Nicolas Sarkozy, mesmo que o diretor-gerente do FMI ainda não tenha declarado sua candidatura.

Número 2 assume


Em comunicado em seu site, o FMI se recusou a comentar o caso, dizendo que permanece operando normalmente. Em outra nota, a instituição informou que o número 2 do órgão, John Lipsky, irá assumir o posto de diretor-geral na ausência de Strauss-Kahn.

Na Grécia, uma autoridade disse que a prisão de Strauss-Kahn pode atrasar discussões com a UE e o FMI sobre o pacote de resgate do país. O diretor-gerente do FMI estava diretamente envolvido nas negociações.


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Confiança


Paris -Anne Sinclair, esposa de Strauss-Kahn, disse em comunicado não acreditar nas acusações contra o marido. Um dos advogados de Strauss-Kahn na França disse que é preciso tomar cuidado com conclusões precipitadas até que os fatos sejam esclarecidos.

A camareira, de 32 anos, abriu queixa por abuso sexual pelo suposto incidente ocorrido na suíte do hotel Sofitel da Times Square por volta das 17h de sábado (horário de Nova York). Strauss-Kahn aparentemente deixou o hotel logo após o incidente.

"Ela disse a detetives que ele (Strauss-Kahn) saiu do banheiro pelado, correu em sua direção e começou a tentar abusar sexualmente dela, segundo o testemunho", disse o porta-voz da polícia Browne.

O diretor-gerente do FMI ainda teria tentado prender a camareira no quarto do hotel, segundo o testemunho.

Strauss-Kahn não tem imunidade diplomática, disse Browne. De acordo com as leis estaduais de Nova York, crimes sexuais podem levar a uma sentença de 15 a 20 anos de prisão.