Presidente Alves ? A pedido do Ministério Público (MP), a Delegacia Seccional de Polícia de Bauru instaurou inquérito policial para apurar suposto crime eleitoral cometido pelo presidente da Câmara de Presidente Alves (56 quilômetros de Bauru), Waldir Luiz Lamberti, o "Bady" (PTB), nas eleições de 2008.
A denúncia de suposta compra de voto constava em representação apresentada pelo vereador Sebastião Claviso na sessão do dia 28 de fevereiro. Ele chegou a apresentar um CD que comprovaria a denúncia por meio de gravações.
Na ocasião, Claviso também questionou a indicação dos integrantes das comissões permanentes, por parte de Bady, sem consulta aos demais parlamentares e suposta dívida com combustível que o presidente teria com um posto da cidade.
Uma Comissão Processante (CP), com pedido de afastamento do presidente do Legislativo, chegou a ser instaurada para apurar o caso, mas ele fechou as portas da Câmara e impediu que o vice-presidente assumisse.
Ameaçado pela CP, Bady acusou os vereadores Reginaldo Moraes e Sebastião Claviso de exigirem o pagamento de "mensalinho" no valor de R$ 1,5 mil e mais 40 litros de combustível em troca de apoio político.
Sem que os membros da CP conseguissem notificá-lo, o vereador obteve liminar em mandado de segurança concedido pela Justiça de Pirajuí para permanecer na presidência da Câmara até a conclusão dos trabalhos da Comissão.
A notificação teve que ser feita por meio de edital publicado dia 10 de março no Jornal da Cidade. No dia 22 de março, através de liminar concedida em medida cautelar, a Justiça suspendeu os trabalhos da CP alegando "indícios da existência de irregularidades nos trabalhos da Comissão Processante".
O CD onde estariam registradas as supostas gravações de conversas envolvendo a compra de voto por parte de Bady foi, então, entregue pela prefeita do município, Sandra Regina Sclauzer (PT), ao Ministério Público.
Segundo o delegado-assistente da Delegacia Seccional de Bauru, Eron Veríssimo Gimenes, o MP de Pirajuí, por sua vez, encaminhou ofício à Polícia Civil requisitando a instauração de inquérito para apurar eventual crime eleitoral.
O delegado informou que o inquérito foi instaurado, mas alegou que ele corre em sigilo e que não pode revelar detalhes para não atrapalhar as investigações. Segundo ele, todos os envolvidos deverão ser ouvidos nos próximos dias.
Ontem à noite, o vereador Bady informou que ainda não havia sido notificado sobre a instauração do inquérito, mas disse que estava tranquilo quando a uma eventual apuração de crime de compra de votos.
"Essa matéria está sub judice porque é a matéria que o Sebastião (Claviso) apresentou para me cassar na Câmara e o juiz suspendeu a CP por falta de provas e deu a liminar suspendendo os trabalhos e mandando arquivar", defende-se.
Em nota enviada pela assessoria de imprensa, a assessora jurídica da prefeitura de Presidente Alves, Hélida Maciel, disse que, após a publicidade na mídia regional da abertura da Comissão Processante na Câmara com relação à suposta compra de votos por parte do vereador Bady, a população pressionou a prefeita cobrando providências.
"Os cidadãos reclamaram que a publicidade negativa estaria manchando o nome da cidade e a prefeita se viu pressionada a tomar uma atitude para apurar o assunto", revela. A prefeita, então, solicitou ao vereador Paulo César Navarro cópia do CD que embasou a abertura do processo com as supostas gravações de compra de voto por parte de Bady.
"Como não compete à chefe do Executivo investigar ou acusar o vereador sobre o caso, ela encaminhou o material ao Ministério Público para análise de possíveis irregularidades ou crime. O Ministério Público é o responsável por qualquer processo investigativo ou judicial contra o vereador que possa vir a ocorrer, pois é o órgão competente para tal", explica.