09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sobre a homofobia


| Tempo de leitura: 4 min


Li o texto do sr. Justo Favaretto nesta tribuna no JC de domingo passado e gostaria de fazer algumas observações. Por que os homossexuais insistem em fazer comparações com o racismo para poder aprovar a tal PLC 122? As comunidades médica e científica são unânimes em admitir que a homossexualidade não é doença, porém não é genética. Não existe DNA Gay. Trata-se de algo comportamental, por isso dizemos "opção sexual". Sendo assim não se pode comparar um assunto comportamental (opção sexual, opção religiosa etc) com algo genético, em que não vejo problema algum. Meu pai era negro (infelizmente faleceu aos 77 anos, no dia 8/5/2011) e sempre me disse que não escolheu ser negro, mas tinha muito orgulho de o ser e poder ter feito diferença numa época onde ser negro era praticamente ser excluído da sociedade. Tentaram impedir meu pai de estudar, de trabalhar e até de se casar com uma branca (minha mãe). E sem a ajuda do governo, sem dinheiro, sem leis específicas e sem apoio de entidades e associações, ele se formou, trabalhou, se casou e constituiu família. E o que dizer do genial médico dr. Santana (in memorian)? Esse sim sofreu com o preconceito (perseguição) em nossa cidade e deu uma aula de como vencer.

O sr. Justo também se equivoca quando fala que o Cristianismo promoveu a inquisição, as cruzadas, a escravidão e apoio a nazistas. Jesus Cristo, que é o autor do Cristianismo, nos leva ao amor, liberdade, união, desapego material e humildade em servir ao invés de mandar. Acho que o sr. Justo estava falando de alguns segmentos da igreja Católica, alguns segmentos da igreja Protestante inglesa e norte-americana, que usaram o nome de Cristo para acobertar as suas hipocrisias e suas maldades, além de alguns senhores feudais, alguns deles até ateus.

Agora estão tentando impor que a sociedade aceite calada a homoafetividade como condição familiar, senão, como sugere o sr. Justo, os incomodados que se mudem. O Estado realmente é laico e o nosso grande livro de leis permite várias situações de culto, inclusive ao Autor do grande Livro Sagrado (Bíblia). A PLC 122 vislumbra a criação de uma força imperial chamada homossexualidade.

Se um negro, branco, amarelo, rico, pobre, porém hétero "sentir-se" constrangido, que prove e resolva nos moldes das leis existentes, agora, se for homossexual, cadeia no suposto ofensor. E como medir esse "sentir-se constrangido"? O problema é que qualquer cidadão que discordar da homossexualidade, seja por um motivo de criação moral ou religioso, poderá ser punido com cadeia. Ora, héteros também têm direitos, inclusive o de se expressar, e também estão sendo mortos diariamente. Se existisse uma lei parecida, chamada de Cristãfobia, o sr. Justo seria denunciado por chamar no seu texto os religiosos de "caça níqueis" e o deputado Jean também seria por chamar os cristãos de "alienados, ignorantes, idiotas etc". Ou isso foi apenas sua liberdade de expressão? Ou seja, homossexual pode se manifestar, já héteros não, ou será "con-denado" a ser chamado de homofóbico. E esse deputado tem incitado contra os Cristãos e daqui a pouco alguém com uma mente mais fraca pode fazer alguma bobagem em alguma igreja ou algo assim... 

Agora, é preciso se informar antes de falar certas coisas, pois se o sr. Justo percorrer os bairros periféricos de nossa cidade e do nosso país (incluindo favelas e morros cariocas), ele encontrará vários cristãos trabalhando pela população desses lugares, inclusive "peitando" traficantes alguma vezes para livrar a barra de um ou outro morador atendido por eles. Mas não posso deixar de registrar aqui que vários segmentos da sociedade, independentemente de religião, fazem trabalhos parecidos.

Sr. Justo, mesmo nos dias de hoje, pastores, padres, missionários, voluntários sociais, etc, tem sido perseguidos (e até mortos) em alguns lugares do mundo e até no Brasil por causa de sua fé ou ideologia social. Agora, criar um lei que privilegia/prestigia apenas uma fatia da sociedade é no mínimo desrespeito ao cidadão em geral.

Como cidadão, respeito e defendo que todo homem/mulher (hetero ou homossexual) devem ter seus direitos respeitados e cumpridos, assim como seus deveres. Como cristão, respeito e defendo a lei de Cristo, que é o amor ao próximo. Sendo assim, amo o pecador, mas não o pecado. E como faço parte dos mais de 60 milhões de cristãos brasileiros, que pagam seus impostos em dia e exercem seus direitos e deveres, vou continuar defendendo a minha opinião e assim como o autor que o sr. Justo citou, eu também não negocio meus princípios.


Rodrigo Brito