Genebra - Em meio ao escândalo envolvendo seu diretor-gerente Dominique Strauss-Kahn, acusado de abuso sexual nos EUA, o FMI (Fundo Monetário Internacional), reuniu-se ontem e decidiu manter o francês no cargo e continuar acompanhando os desdobramentos do caso.
Membros da diretoria do organismo receberam informações detalhadas sobre a prisão de Strauss-Kahn em Nova York e o andamento do seu caso. Mais cedo, a promotoria nova iorquina recusou conceder fiança. Em comunicado, o órgão internacional não apoiou nem condenou seu diretor-gerente.
"O FMI e sua diretoria executiva continuarão a monitorar os desdobramentos", disse a porta-voz Caroline Atkinson, acrescentando que na reunião o número 2 do órgão, John Lipsky, e o conselheiro-geral, Sean Hagan, informaram a cúpula da entidade sobre o caso.
Pedido de fiança negado
Dominique Strauss-Kahn, teve o seu pedido de fiança negado ontem por conta das acusações de que teria tentado estuprar uma camareira de hotel, um revés contra o homem considerado o favorito para as eleições presidenciais na França e que supervisionava as finanças do mundo.
Aparentando cansaço, com uma barba rala e com a mesmas roupas que usava no domingo, Strauss-Kahn ouviu os promotores relatarem a um juiz do tribunal criminal de Manhattan que eles estão investigando se ele teve conduta semelhante em outras ocasiões no passado.
Strauss-Kahn pode enfrentar 25 anos de prisão se condenado e deve ser mantido atrás das grades para não fugir para a França, de acordo com os promotores.
Os advogados de defesa não conseguiram libertar Strauss-Kahn sob fiança de 1 milhão de dólares. Eles negaram as acusações contra o seu cliente, cuja prisão jogou o FMI em confusão no momento em que a entidade trabalha para resolver a crise da dívida na zona do euro.
"Estamos, obviamente, decepcionados com a decisão do tribunal. Nós vamos provar... que o senhor Strauss-Kahn é inocente dessas acusações", disse o advogado de defesa Ben Brafman aos repórteres. "A sua principal intenção é limpar o seu nome e reestabelecer a sua imagem."
Esta foi a primeira aparição de Strauss-Kahn perante ao tribunal desde que foi acusado de abusar sexualmente de uma camareira que foi limpar o seu quarto no Sofitel da Times Square. Ele foi retirado do avião da Air France no sábado minutos antes de decolar para Paris. O caso alterou o cenário político francês e causou tumulto entre as lideranças do FMI.
UE querem manter chefia do fundo
Londres - A primeira-ministra alemã, Angela Merkel, já mandou o recado: a prisão do francês Dominique Strauss-Kahn não significa o fim do monopólio europeu na direção-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional).
"Sabemos que os países em desenvolvimento têm uma reivindicação de assumir as presidências do FMI e do Banco Mundial, mas no atual momento (de crise na zona do euro), há boas razões para a Europa ter bons candidatos à disposição", afirmou.
Todos os dez presidentes do FMI, desde sua criação, em 1946, foram europeus.
Isso faz parte de uma espécie de divisão do mundo após a Segunda Guerra Mundial. A Europa ficou com o FMI, os EUA, com o Banco Mundial.
A divisão entre Europa e EUA tem sido contestada por países como China, Brasil e Índia, que afirmam que ela não faz mais sentido.
Foi-se o tempo em que esses países eram apenas receptores de empréstimos do fundo. Hoje, são contribuintes, e é a Europa (Grécia, Irlanda e agora Portugal) que necessita do dinheiro.