09 de julho de 2026
Geral

Diretor da FOB diz que faculdade de medicina é bem-vinda na USP

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

A mobilização de apoio à implantação da faculdade pública de medicina em Bauru ganha mais um aliado que defende não apenas a criação do curso, como também a transformação do Centrinho em um hospital geral para abrigar os alunos. O diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP), José Carlos Pereira, avalia que o Centrinho pode ser transformado em um hospital geral. "Se houver a montagem do curso de medicina, não tem sentido você construir um hospital só para isso com a universidade tendo um hospital aqui dentro. Esse é o meu ponto de vista", revela Pereira. Extraoficialmente, o governo do Estado também apoia a transformação do Centrinho em um hospital geral.

Pereira vislumbra um momento favorável para emplacar a criação da faculdade de medicina na cidade com a gestão do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) junto ao governo estadual e com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) acenando positivamente para a proposta.

"Nós que estamos próximos da gestão da universidade temos essa possibilidade de trabalhar juntos", acrescenta. O diretor da FOB-USP lembra que a congregação da Universidade de São Paulo aprovou o curso, na década de 70, porém, faltou articulação política no município.

Pereira frisa a necessidade de aporte financeiro do governo estadual para implantar um curso de medicina em Bauru. "É preciso que ele (Geraldo Alckmin) banque materialmente a montagem de um curso dessa natureza. Temos uma parte da infraestrutura pronta aqui", ressalta.

Para a criação de uma faculdade de medicina em Bauru, o diretor da FOB-USP lembra que são necessários técnicos, complementação do quadro de professores e infraestrutura mais ampla de laboratórios, além de não se comprometer o atual orçamento da USP. Pereira explica que um hospital demanda um aporte financeiro considerável para a universidade, mas que para o governo estadual não representa um investimento tão vultoso.

O hospital do Centrinho foi projetado para atender pacientes com anomalias craniofaciais. Contudo, Pereira avalia que é possível ajustá-lo para atuar como hospital geral. "Tenho certeza de que o Gastão (José Alberto de Souza Freitas, superintendente do Centrinho/USP) sabe que, se a faculdade de medicina vier para a USP e ser for ligada ao curso de odontologia, o hospital será adotado como hospital geral", avalia.

Pereira resume que a Faculdade de Odontologia não é contrária à criação de um curso de medicina e é submissa às determinações da reitoria. Ele enfatiza que a implantação do curso precisa de uma gestão política forte, que garanta recursos financeiros, e, em um segundo momento, uma gestão acadêmica para convencer o Conselho Universitário de que mais um curso de medicina na USP é de interesse social e que a universidade não será prejudicada em suas atividades.

Pereira ressalta, ainda, que a faculdade de medicina em Bauru não está ligada à solução do problema de saúde da cidade. Para o diretor da FOB-USP, a gestão da saúde municipal depende de outros fatores que não estão relacionados ao que uma faculdade de medicina pode propiciar à comunidade.

"É preciso uma educação da nossa sociedade do que é doença e do que é saúde para resolver o problema de saúde municipal. A faculdade de medicina vai atender pacientes dentro do limite necessário para a formação de profissionais. Se você transportar para os hospitais de ensino a responsabilidade exclusiva de atender a comunidade, o ensino fracassa", alerta Pereira.

José Carlos Pereira dirige a FOB-USP desde março do ano passado. Ele ingressou na graduação de odontologia em Bauru em 1968, se formou em 1971 e, no ano seguinte, já era professor da FOB-USP.

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Faculdade de Odontologia: 95 mil atendimentos ao ano


A Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP) completa 49 anos atingindo a marca de cerca de 95 mil procedimentos por ano à população, com serviços de urgência, atendimentos clínicos e atividades extramuros.

A faculdade se notabilizou pelo staff qualificado de professores de odontologia e fonoaudiologia. Boa parte dos professores faz pós-doutorado no Exterior e, por consequência, mantém intercâmbio com pesquisadores norte-americanos, europeus e da Ásia. A FOB-USP foi criada em 1948 e implantada em 17 de maio de 1962.

O diretor da FOB, José Carlos Pereira, é graduado na instituição e fez pós-doutorado de dois anos nos Estado Unidos. "Grande parte dos nossos professores fez isso. A gente já tem na nossa natureza esta experiência com o Exterior que facilita as relações de aproximação com pesquisadores de fora", salienta

Pereira cita que mais de 80% dos docentes se dedica exclusivamente à atividade de ensinar e pesquisar, o que faz da FOB-USP uma instituição de ensino muito preparada para formar profissionais de odontologia e fonoaudiologia. "Isso faz uma grande diferença no espírito de envolvimento com a causa da instituição e quando você tem que mostrar competência", destaca.

A competência se traduz nos milhares de profissionais espalhados pelo Brasil e Exterior que se formam na graduação, pós e especialização da FOB-USP, propiciando grande visibilidade para a instituição. E o que era uma Jornada Odontológica de Bauru há 24 anos atrás, atualmente passou a ter a pompa de um Congresso Odontológico de Bauru (COB) que atrai estudantes, pesquisadores, docentes do país e do exterior. A 24ª edição do COB foi aberta na noite de ontem e segue até sábado, com palestras e cursos. Neste ano, o COB homenageia o cardiologista professor Antonio Gabriel Atta, já falecido.


A FOB-USP conta com 117 professores e 231 servidores. Na graduação prepara 350 estudantes e na pós-graduação mais 348 alunos de mestrado e doutorado e ainda 200 alunos em cursos de especialização.

Até o ano passado, formou 46 turmas de cirurgiões-dentistas e 18 de fonoaudiólogos, no total de 2.300 dentistas e 560 fonos. Na pós, 1.174 mestres e 536 doutores foram titulados até 2010 e compõem os quadros de escolas brasileiras e estrangeiras.

No período de 2000 até este ano, a FOB-USP produziu 2.718 artigos científicos publicados em periódicos nacionais e internacionais, 404 capítulos de livros e 59 livros de texto, nas áreas de odontologia e fonoaudiologia.

A instituição mantém convênios de cooperação acadêmica e científica com universidades do País e do Exterior, incluindo a América Latina, Europa e os Estados Unidos. Pereira detalha que a faculdade mantém intercâmbio de cooperação entre instituições de ensino e pesquisa com alunos, professores e pesquisadores daqui para o Exterior ou vice-versa. Também há parcerias de pesquisa com laboratórios com docentes brasileiros e estrangeiros trabalhando juntos no desenvolvimento de projetos.

A FOB-USP integra o campus de Bauru com o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) e a Coordenadoria do Campus de Bauru (CCB).