Nova York - Os advogados de defesa de Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional) acusado de abuso sexual e tentativa de estupro de uma camareira, alegam que podem ter havido relações sexuais consentidas entre os dois, segundo publicou ontem o jornal "New York Post".
"As provas, a nosso ver, não apontam para um encontro realizado pela força", disse ao jornal o famoso criminalista Benjamin Brafman, conhecido por ter representado estrelas da música nos Estados Unidos, como Michael Jackson e o rapper Jay-Z.
Segundo uma fonte anônima próxima à defesa de Strauss-Kahn e citada pelo jornal nova-iorquino, "pode ter havido consentimento" da camareira, da qual a única coisa que se sabe é que se trata de uma imigrante africana de 32 anos.
A versão da defesa destoa significativamente da apresentada pela Promotoria de Manhattan, que afirma que o francês "fechou a porta do quarto de seu hotel para evitar que a vítima, uma empregada de limpeza do estabelecimento, pudesse escapar".
Pressão para renuncia
Os governos europeus começam a divergir sobre a manutenção de Dominique Strauss-Kahn no comando do FMI (Fundo Monetário Internacional), mas continuam a defender que o possível substituto seja do bloco.
A ministra das Finanças da Espanha, Elena Salgado, foi uma das vozes mais eloquentes contra o francês, que está preso em Nova York.
Ressaltando que a investigação está em andamento, ela disse que as acusações são graves. "Se tiver que mostrar minha solidariedade e apoio a alguém, será para a mulher que foi atacada, se isso for comprovado."
Já a ministra austríaca Maria Fekter disse que Strauss-Kahn deveria se dar conta de que está prejudicando a imagem do organismo.
Porém, nem todos os políticos que estavam em Bruxelas para aprovar a ajuda de 78 bilhões de euros a Portugal concordam com a saída do dirigente. Jean-Claude Juncker, premiê de Luxemburgo e presidente do grupo de ministros das Finanças da zona do euro, disse que era "indecente" perguntar sobre a sucessão.
"Strauss-Kahn não renunciou. Não sei se ele é culpado. Por que metade dos governos europeus estão agora em processo de perguntar quem pode ser o sucessor?", disse ele.
UE querem manter presidência e Brasil quer chefe de país emergente
São Paulo - Para os europeus, a manutenção do comando do FMI é importante em parte pelo prestígio, abalado por maus resultados econômicos. Mas também porque o Fundo vem tendo importante papel na ajuda a países da região - alguns emergentes dizem que em condições mais generosas que as habituais.
A questão é como os EUA vão se comportar nesse processo, em que os emergentes querem ter um representante no comando do Fundo. Se a tradição é que os europeus ocupem o principal posto do FMI, o mesmo ocorre com os americanos no Banco Mundial. Aprovar um não europeu agora deve afetar também o processo no Bird.
O Brasil acredita que o próximo chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) deveria vir de um grande país emergente, mas não planeja pressionar ativamente por isso, disse uma autoridade sênior do governo à Reuters ontem.
Escândalo sexual choca a França
Nova York - Dominique Strauss-Kahn passou sua terceira noite na cadeia em Nova York, despertando reações de choque na França diante do fato de que foi recusada fiança ao diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) por acusações de tentativa de estupro que podem aniquilar suas esperanças na corrida presidencial francesa.
Seus aliados no Partido Socialista, alguns disputando posições antes das primárias, que até então se acreditava prestes a conceder a candidatura a Strauss-Kahn, preparavam-se para uma reunião de emergência, mas disseram que não irão mudar o cronograma da escolha.
Políticos e comentaristas franceses reagiram com surpresa e raiva à decisão do juiz nova-iorquino de deter Strauss-Kahn, outrora a maior ameaça ao presidente conservador Nicolas Sarkozy na eleição marcada para abril de 2012. Sua exibição diante da mídia internacional algemado, desalinhado e barbudo foi particularmente contundente.
"Ele é um homem corajoso ao qual foi infligido um destino cruel", disse o ex-ministro da cultura socialista Jack Lang à rádio Europe 1, denunciando um "linchamento".
"Não é impensável que certas autoridades judiciais, o promotor em especial ou o juiz, sejam motivados pelo desejo de abater um francês, e um francês que além de tudo é bastante conhecido."
A prisão de Strauss-Kahn escancarou a corrida pela presidência, reforçando as chances de reeleição de Sarkozy, e levou o caos ao FMI no momento em que o organismo desempenha um papel-chave no socorro a países endividados da zona do euro, como Grécia e Portugal.